segunda-feira, abril 13, 2009

O que é que isto interessa?

Discute-se, com acrimónia e entusiasmo, se há o direito de dizer às funcionárias da loja do cidadão de Faro como é que se devem apresentar vestidas ao público. Fico perplexo.
Na verdade, se elas tivessem de trabalhar mais 2 ou 3 horas por dia, sem receberem horas extraordinárias, prejudicando a sua vida familiar e a educação dos seus filhos, como acontece com tanta gente, bom, isso já não seria assunto com interesse para trazer a uma discussão! No entanto, parece-me razoável pensar que este assunto é amplamente mais importante e com consequências muito mais graves para as pessoas e para a sociedade no seu todo. Ah, mas com isto não temos espectáculo, logo...

"(...) O essencial é invisível aos olhos" (Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho, Cap. XXI)
Esta frase tem hoje em dia um sentido tristemente irónico. Porque aquilo de que valeria mesmo a pena falar e discutir está invisível e, por isso, não se consegue que seja matéria para debate e troca de ideias, permanecendo assim cada vez mais na sua invisibilidade. E, infelizmente, a existir menos que a roupa das funcionárias da loja de Faro!...

terça-feira, abril 07, 2009

Acabou-se!

A engrenagem já não contará comigo por muito mais tempo: entreguei um pedido de licença sem vencimento de longa duração. Ou seja, vou-me embora. Espero que para sempre.

Um aluno de um CEF pontapeou a cabeça de um colega enviando-o para o hospital em estado crítico. A pena máxima que a escola pôde aplicar consistiu em 10 dias de suspensão (já se sabe, com faltas justificadas): não havia o mesmo CEF numa escola da área de residência dele, pelo que a transferência estava fora de causa.
Outro aluno, por, entre outros actos violentos (e várias penas de suspensão), ter agredido uma professora na cabeça, foi punido com transferência de escola: passam-se as semanas e nada de assinatura do director regional, pelo que ele continua na escola (imagine-se como) e diz: "Posso fazer o que quiser, o que é que me pode acontecer de pior?"

Estive no ensino 24 anos por vocação, talento, paixão e alegria. Eu gosto muito de ensinar, que é uma coisa que hoje em dia faço pouco. O que faço é reforçar a máquina destruidora que este Governo pôs em marcha. Devo dizer, pois, que saio com alegria também: já não mais humilhações violentas, nem trabalhos inúteis e esgotantes, nem sapos engolidos, nem ausências de respeito e de consideração, nem ameaças ou ataques à minha integridade física e mental.
E não mais me sentirei responsável por alimentar este imenso desastre que é hoje a Educação em Portugal no ensino público.