O desejo que as pessoas têm da fama! Porquê?
Uma hipótese: a fama traz uma promessa de poder e este torna-se um substituto do amor; pobre, sem dúvida, mas que distrai eficazmente dessa falta (Claro que o amor a que aqui me refiro é aquele que é doce, quente, reconfortante e securizante, não à paixão).
Calhou por acaso eu ter sido convidado para o aniversário da discoteca Lux. Quando estava na fila para entrar, passaram à nossa frente 3 jovens espectacularmente bonitas, mas de ar inexpressivo e duro. Comentei: estas devem ser bailarinas que vão aqui actuar. Disseram-me (rindo): não, estas são as famosas X, Y e Z! Fiquei perplexo: jovens, já com ar de velhas endurecidas, que eu confundi com umas quaisquer stripteasers!
Porque a fama devasta tudo. Lembro-me de há uns anos ter assistido a um fórum na BBC, com um larguíssimo número de intervenientes, subordinado ao tema: “Como a fama destruiu a minha vida”. A nota unânime era o reconhecimento da quase completa impossibilidade de evitar que isso acontecesse.
Ambrose Bierce, Dicionário do Diabo, Tinta da China:
"Famoso, adj. Conspicuamente miserável."
A vida. Tão pouco e tão tanto. (...) E todavia eu sei que "isto" nasceu para o silêncio sem fim... (Vergílio Ferreira)
domingo, fevereiro 05, 2006
Balanço
Há um ano e alguns meses que estou separado.
Bom: viver o dia a dia em tranquilidade interior, sem a pressão nas vísceras por estar a fazer algo de menos, de errado ou, pelo menos, de criticável.
Mau, verdadeirmente Mau: não ter o meu filho comigo (eu, que estava habituado a estar com ele o tempo todo, excepto o que ele passava na escola).
Apesar desta dor, valeu a pena? Valeu.
Bom: viver o dia a dia em tranquilidade interior, sem a pressão nas vísceras por estar a fazer algo de menos, de errado ou, pelo menos, de criticável.
Mau, verdadeirmente Mau: não ter o meu filho comigo (eu, que estava habituado a estar com ele o tempo todo, excepto o que ele passava na escola).
Apesar desta dor, valeu a pena? Valeu.
domingo, janeiro 29, 2006
Um verso...
... com que acordei hoje de manhã:
"A amada é bem a infância que vem ter comigo"
Uma busca na net. Um encontro com Ruy Belo no site nEscritas de Margarida Lopes e Paula Matos.
O elogio da Amada
Ei-la que vem ubérrima numerosa escolhida
secreta cheia de pensamentos isenta de cuidados
Vem sentada na nova primavera
cercada de sorrisos no regaço lírios
olhos feitos de sombra de vento de momento
alheia a estes dias que eu nunca consigo
Morde-lhe o tempo na face as raízes do riso
começa para além dela a ser longe
A amada é bem a infância que vem ter comigo
Há pássaros antigos nos límpidos caminhos
e mortes como antes nunca mais
Ei-la já que se estende ampla como uma pátria
no limiar da nossa indiferença
Os nossos átrios são para os seus pés solitários
Já todos nós esquecemos a casa dos pais
ela enche de dias as nossas mãos vazias
A dor é nela até que Deus começa
eu bem lhe sinto o calcanhar do amor
Que importa sermos de uma só manhã e não haver em volta
árvore mais açoitada pelos diversos ventos?
Que importa partirmos num desmoronar de poentes?
Mais triste mesmo a vida onde outros passarão
multiplicando-lhe a ausência que importa
se onde pomos os pés é primavera?
Dedicatória in Aquele Grande Rio Eufrates
"A amada é bem a infância que vem ter comigo"
Uma busca na net. Um encontro com Ruy Belo no site nEscritas de Margarida Lopes e Paula Matos.
O elogio da Amada
Ei-la que vem ubérrima numerosa escolhida
secreta cheia de pensamentos isenta de cuidados
Vem sentada na nova primavera
cercada de sorrisos no regaço lírios
olhos feitos de sombra de vento de momento
alheia a estes dias que eu nunca consigo
Morde-lhe o tempo na face as raízes do riso
começa para além dela a ser longe
A amada é bem a infância que vem ter comigo
Há pássaros antigos nos límpidos caminhos
e mortes como antes nunca mais
Ei-la já que se estende ampla como uma pátria
no limiar da nossa indiferença
Os nossos átrios são para os seus pés solitários
Já todos nós esquecemos a casa dos pais
ela enche de dias as nossas mãos vazias
A dor é nela até que Deus começa
eu bem lhe sinto o calcanhar do amor
Que importa sermos de uma só manhã e não haver em volta
árvore mais açoitada pelos diversos ventos?
Que importa partirmos num desmoronar de poentes?
Mais triste mesmo a vida onde outros passarão
multiplicando-lhe a ausência que importa
se onde pomos os pés é primavera?
Dedicatória in Aquele Grande Rio Eufrates
domingo, janeiro 22, 2006
Fernando Namora
sábado, janeiro 21, 2006
Escrever
(pequenos recortes que fui guardando ao longo dos anos e que agora, com as arrumações, vou encontrando)
De novo Gilles Deleuze:
"Não escrevo contra alguém ou alguma coisa.
Para mim escrever é um gesto absolutamente positivo: é dizer o que se admira e não combater o que se detesta.
Escrever para denunciar é o mais baixo nível de escrever.
Em contrapartida, é verdade que escrever implica que há qualquer coisa que não está bem no estado da questão que se deseja tratar.
Que se não está satisfeito.
Direi assim: escrevo contra a ideia feita.
Escreve-se sempre contra as ideias feitas."
Ou seja, contra o esquecimento e contra a distracção. Pelo menos, para mim.
Denunciar é um nível baixo de escrita, na minha opinião, apenas quando se torna num tique daquele que escreve. Daí eu fazer da denúncia um uso parcimonioso.
De novo Gilles Deleuze:
"Não escrevo contra alguém ou alguma coisa.
Para mim escrever é um gesto absolutamente positivo: é dizer o que se admira e não combater o que se detesta.
Escrever para denunciar é o mais baixo nível de escrever.
Em contrapartida, é verdade que escrever implica que há qualquer coisa que não está bem no estado da questão que se deseja tratar.
Que se não está satisfeito.
Direi assim: escrevo contra a ideia feita.
Escreve-se sempre contra as ideias feitas."
Ou seja, contra o esquecimento e contra a distracção. Pelo menos, para mim.
Denunciar é um nível baixo de escrita, na minha opinião, apenas quando se torna num tique daquele que escreve. Daí eu fazer da denúncia um uso parcimonioso.
domingo, janeiro 15, 2006
O texto que "merece existir"
"Creio que um livro, se merece existir, pode ser apresentado sob três aspectos rápidos. Só se escreve um livro digno se
1) se pensa que os livros sobre o mesmo tema ou tema próximo caíram todos numa espécie de erro global (função polémica do livro);
2) se pensa que alguma coisa de essencial foi esquecida sobre o assunto (função inventiva);
3) nos consideramos capazes de criar um novo conceito (função criativa).
E, claro, isto é um mínimo: um erro, um esquecimento, um conceito..."
(Gilles Deleuze a Arnaud Villani)
Ponho a hipótese de estes critérios também se poderem aplicar à escrita nos blogs.
1) se pensa que os livros sobre o mesmo tema ou tema próximo caíram todos numa espécie de erro global (função polémica do livro);
2) se pensa que alguma coisa de essencial foi esquecida sobre o assunto (função inventiva);
3) nos consideramos capazes de criar um novo conceito (função criativa).
E, claro, isto é um mínimo: um erro, um esquecimento, um conceito..."
(Gilles Deleuze a Arnaud Villani)
Ponho a hipótese de estes critérios também se poderem aplicar à escrita nos blogs.
Sempre que morre alguém que me é próximo, para além de sentir a dor da perda, fico mudo com tudo o que se perde com essa morte, afectos, saberes, intervenções.
No filme Blade Runner, Roy Batty (Rutger Hauer), um andróide à beira de morrer, diz a Rick Deckard (Harrison Ford):
(cliquem para ouvir)
"I've seen things you people wouldn't believe...
Attack ships on fire off the shoulder of Orion...
I watched c-beams glitter in the dark near the Tannhauser Gate...
All those moments will be lost in time like tears in the rain...
Time to die."
No filme Blade Runner, Roy Batty (Rutger Hauer), um andróide à beira de morrer, diz a Rick Deckard (Harrison Ford):
(cliquem para ouvir)
"I've seen things you people wouldn't believe...
Attack ships on fire off the shoulder of Orion...
I watched c-beams glitter in the dark near the Tannhauser Gate...
All those moments will be lost in time like tears in the rain...
Time to die."
sábado, dezembro 31, 2005
Bom Ano de 2006!
Para este último post de 2005 cito um texto atribuído a Martin Niemoeller (1892–1984), pastor protestante alemão, que se refere à Alemanha hitleriana.
Há várias versões deste texto, talvez porque ele nunca tenha sido autenticado, como se explica aqui e aqui.
Escolhi a versão de António Garcia Pereira (porque, sendo um candidato presidencial silenciado pela comunicação social, representa bem todos aqueles que são também por ela silenciados), do seu livro "Ousar sonhar, Ousar lutar, Ousar vencer!":
“ Primeiro, levaram os judeus.
Mas não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas.
Nada disse então, por não ser comunista.
Em seguida, castigaram os sindicalistas.
Decidi não falar, por não ser sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos.
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.”
Há várias versões deste texto, talvez porque ele nunca tenha sido autenticado, como se explica aqui e aqui.
Escolhi a versão de António Garcia Pereira (porque, sendo um candidato presidencial silenciado pela comunicação social, representa bem todos aqueles que são também por ela silenciados), do seu livro "Ousar sonhar, Ousar lutar, Ousar vencer!":
“ Primeiro, levaram os judeus.
Mas não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas.
Nada disse então, por não ser comunista.
Em seguida, castigaram os sindicalistas.
Decidi não falar, por não ser sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos.
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.”
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Acredito mais
Como estão as minhas crenças?
No que gira à volta e próximo de mim acredito em cada vez menos coisas.
Ao nível da humanidade e do planeta, acredito em cada vez mais coisas.
Adivinho as expressões de perplexidade. Então vejam se se lembram (eu tenho 47 anos) do tempo em que:
- vivíamos todos à beira de ser pulverizados por umas quantas milhares de bombas atómicas, por causa de uma rivalidade em que, felizmente, a estupidez nunca chegou a ultrapassar excessivamente o bom senso;
- não sabíamos, nós os homens, ao ir para a guerra em África, se chegaríamos alguma vez à idade adulta. E se chegássemos, em que estado físico e psicológico;
- a única diferença entre uma ditadura de direita e uma de esquerda é que esta demorava mais tempo a cair;
- as mulheres viviam em quase absoluta submissão à ordem masculina;
- o ambiente ia sendo destruído sem defesa e sem revolta;
- etc, etc.
Não acho irrazoável concluir que, a nível de humanidade, estamos a caminhar para melhor!
(a propósito de um post aqui)
No que gira à volta e próximo de mim acredito em cada vez menos coisas.
Ao nível da humanidade e do planeta, acredito em cada vez mais coisas.
Adivinho as expressões de perplexidade. Então vejam se se lembram (eu tenho 47 anos) do tempo em que:
- vivíamos todos à beira de ser pulverizados por umas quantas milhares de bombas atómicas, por causa de uma rivalidade em que, felizmente, a estupidez nunca chegou a ultrapassar excessivamente o bom senso;
- não sabíamos, nós os homens, ao ir para a guerra em África, se chegaríamos alguma vez à idade adulta. E se chegássemos, em que estado físico e psicológico;
- a única diferença entre uma ditadura de direita e uma de esquerda é que esta demorava mais tempo a cair;
- as mulheres viviam em quase absoluta submissão à ordem masculina;
- o ambiente ia sendo destruído sem defesa e sem revolta;
- etc, etc.
Não acho irrazoável concluir que, a nível de humanidade, estamos a caminhar para melhor!
(a propósito de um post aqui)
Explicação
Sei que não tenho tempo me dedicar à blogosfera. Porquê?
Primeiro, porque ao vir aqui acho que é desconsideração não ir aos blogamigos. Ir aos blogamigos implica a leitura atenta e, dada a qualidade do que leio, o deixar um comentário à altura. Levo muito tempo nisto.
Segundo, porque não sendo uma pessoa especialmente talentosa sei que tenho de me esforçar muito para que o que aqui escrevo tenha um mínimo de interesse. Para que valha a pena tê-lo escrito e valha a pena ser lido. Levo ainda mais tempo nisto.
Terceiro, lida da casa: compras, chegar a casa, arranjar o jantar, arrumar as coisas, sentar-me um pouco a descansar e são horas de ir dormir (levanto-me cedo, deito-me cedo).
Quarto, as prioridades no meu escasso tempo livre: passear com o meu filho fds sim fds não, ajudá-lo nos estudos, namorar, meditar, ler um livro, fazer exercício físico,... Há que confessá-lo: por último estar com os amigos e vir aqui, dado que ambos implicam dedicação e tempo, tempo que é coisa que eu não tenho. E já eliminei completamente a televisão (excepto para um eventual Seinfeld)!
Quinto, talvez a razão mais determinante: o acréscimo brutal de trabalho que o Ministério da Educação impôs aos professores este ano lectivo. E a partir de agora vou passar a ter ainda muito mais (para além das aulas e tudo o que com elas se relacionam - lecciono 5 níveis -, das horas extras com alunos, das aulas de substituição, das reuniões que nunca se deixam de ter de fazer, do imenso trabalho burocrático) porque vou ter de acompanhar os alunos (bastantes) para quem fiz um plano de recuperação por terem tido mais de 2 negativas (estão a ver, a matemática é muitas vezes uma delas).
Pronto, já desabafei!
Primeiro, porque ao vir aqui acho que é desconsideração não ir aos blogamigos. Ir aos blogamigos implica a leitura atenta e, dada a qualidade do que leio, o deixar um comentário à altura. Levo muito tempo nisto.
Segundo, porque não sendo uma pessoa especialmente talentosa sei que tenho de me esforçar muito para que o que aqui escrevo tenha um mínimo de interesse. Para que valha a pena tê-lo escrito e valha a pena ser lido. Levo ainda mais tempo nisto.
Terceiro, lida da casa: compras, chegar a casa, arranjar o jantar, arrumar as coisas, sentar-me um pouco a descansar e são horas de ir dormir (levanto-me cedo, deito-me cedo).
Quarto, as prioridades no meu escasso tempo livre: passear com o meu filho fds sim fds não, ajudá-lo nos estudos, namorar, meditar, ler um livro, fazer exercício físico,... Há que confessá-lo: por último estar com os amigos e vir aqui, dado que ambos implicam dedicação e tempo, tempo que é coisa que eu não tenho. E já eliminei completamente a televisão (excepto para um eventual Seinfeld)!
Quinto, talvez a razão mais determinante: o acréscimo brutal de trabalho que o Ministério da Educação impôs aos professores este ano lectivo. E a partir de agora vou passar a ter ainda muito mais (para além das aulas e tudo o que com elas se relacionam - lecciono 5 níveis -, das horas extras com alunos, das aulas de substituição, das reuniões que nunca se deixam de ter de fazer, do imenso trabalho burocrático) porque vou ter de acompanhar os alunos (bastantes) para quem fiz um plano de recuperação por terem tido mais de 2 negativas (estão a ver, a matemática é muitas vezes uma delas).
Pronto, já desabafei!
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Mudei outra vez!
A casa em que agora estou é bonita, quente, confortável, e tenho à minha frente um jardim e o céu todo azul!
Comecei por arrumar a comida e a roupa (o urgente).
Agora estou a arrumar os livros (o importante).
Adoro arrumar livros!
(Gostaria imenso de trabalhar numa livraria, mas se calhar seria um mau empregado)
Pegar neles, escolher o local onde os vou colocar, isto é, o sítio em que me seja mais fácil vê-los e manuseá-los, ao mesmo tempo que vou (re)descobrindo o lugar único que ocupam no meu coração...
Há livros que sublinho a lápis (poucos) e todos os outros em que coloco uma tira de papel nas páginas onde algo me iluminou. Ora, enquanto arrumo vou lendo essas passagens, muitas vezes páginas. São surpresas, revisitações, redescobertas!
Eis um trabalho lento, deliciosamente lento, este, o de arrumar livros!
Comecei por arrumar a comida e a roupa (o urgente).
Agora estou a arrumar os livros (o importante).
Adoro arrumar livros!
(Gostaria imenso de trabalhar numa livraria, mas se calhar seria um mau empregado)
Pegar neles, escolher o local onde os vou colocar, isto é, o sítio em que me seja mais fácil vê-los e manuseá-los, ao mesmo tempo que vou (re)descobrindo o lugar único que ocupam no meu coração...
Há livros que sublinho a lápis (poucos) e todos os outros em que coloco uma tira de papel nas páginas onde algo me iluminou. Ora, enquanto arrumo vou lendo essas passagens, muitas vezes páginas. São surpresas, revisitações, redescobertas!
Eis um trabalho lento, deliciosamente lento, este, o de arrumar livros!
quinta-feira, novembro 24, 2005
Livros, os melhores
Tem corrido uma votação nos blogues sobre os 5 melhores romances dos últimos 30 anos.
Sinto-me antecipadamente cansado e, portanto, não participo.
Esta fase que ando a passar pode ser uma razão.
Mas eu sei que há outra. Ei-la:
Gosto de um livro, gosto mesmo muito.
Começo a oferecê-lo aos meus amigos/conhecidos.
Para um em quem o livro acende uma chama, há todos os outros para quem ele suscita um reduzidíssimo interesse.
Ao ponto de nem sequer se darem ao trabalho de o acabarem de ler.
Hoje em dia estou como nos velhos tempos do fascismo: com o medo, só falo a alguns poucos dos livros que me importam!
Sinto-me antecipadamente cansado e, portanto, não participo.
Esta fase que ando a passar pode ser uma razão.
Mas eu sei que há outra. Ei-la:
Gosto de um livro, gosto mesmo muito.
Começo a oferecê-lo aos meus amigos/conhecidos.
Para um em quem o livro acende uma chama, há todos os outros para quem ele suscita um reduzidíssimo interesse.
Ao ponto de nem sequer se darem ao trabalho de o acabarem de ler.
Hoje em dia estou como nos velhos tempos do fascismo: com o medo, só falo a alguns poucos dos livros que me importam!
For the record...
| You're an Expert Kisser |
You're a kissing pro, but it's all about quality and not quantity You've perfected your kissing technique and can knock anyone's socks off And you're adaptable, giving each partner what they crave When it comes down to it, your kisses are truly unforgettable |
Só vos digo uma coisa: nem todos os inquéritos na net nos deitam abaixo (lol)!
(e eu que não consigo sacudir este torpor? Já fui ao médico e tudo! Até me começa a apetecer culpar o Governo deste meu estado - bom, em parte ele é responsável, já que tenho muito menos tempo para recuperar do cansaço das horas e horas de trabalho com os alunos... como estes têm, aliás, vindo a aperceber-se! As minhas desculpas a todos os blogamigos por aquilo que pode aparecer como desleixo, mas não é. E que pena tenho de não ter ido a Aveiro.)
sábado, novembro 19, 2005
Em quem vou votar...
Vou ouvir e ler o que todos os candidatos disserem (principalmente nos manifestos de candidatura, nos debates e nos tempos de antena, porque no resto não confio).
Vou principalmente estar com atenção ao que não disserem!
Depois far-me-ei uma pergunta simples:
Se eu
(quando digo "eu", refiro-me obviamente a um "nós" constituído por aqueles que não sabem defender-se muito bem do poder)
me vir em dificuldades, qual dos candidatos promete uma maior probabilidade de vir a terreiro defender-me?
A resposta a esta pergunta ditará o meu voto.
Confesso um preconceito:
Desde há exactamente 27 anos (não me esqueci do primeiro ano do numerus clausus em Medicina!) que estou a ser continuamente prejudicado e sacrificado em nome de um qualquer "futuro do nosso país"!
Por isso os candidatos que me vierem com a merda do futuro dificilmente terão o meu voto!!!
(E, já agora, penalizo-me ao salientar a minha inferioridade cívica (menoridade política?) face a todos aqueles que irão dar o seu voto ao candidato que eles consideram desinteressadamente, ao contrário de mim, ser o melhor para o país!)
Vou principalmente estar com atenção ao que não disserem!
Depois far-me-ei uma pergunta simples:
Se eu
(quando digo "eu", refiro-me obviamente a um "nós" constituído por aqueles que não sabem defender-se muito bem do poder)
me vir em dificuldades, qual dos candidatos promete uma maior probabilidade de vir a terreiro defender-me?
A resposta a esta pergunta ditará o meu voto.
Confesso um preconceito:
Desde há exactamente 27 anos (não me esqueci do primeiro ano do numerus clausus em Medicina!) que estou a ser continuamente prejudicado e sacrificado em nome de um qualquer "futuro do nosso país"!
Por isso os candidatos que me vierem com a merda do futuro dificilmente terão o meu voto!!!
(E, já agora, penalizo-me ao salientar a minha inferioridade cívica (menoridade política?) face a todos aqueles que irão dar o seu voto ao candidato que eles consideram desinteressadamente, ao contrário de mim, ser o melhor para o país!)
quinta-feira, novembro 17, 2005
Hoje gastei algum tempo a responder aos comentários feitos ao post anterior... e a colocar também algumas interrogações!
Lembro-me da estupefacção que me tomou há já bastantes anos atrás ao assistir, numa telenovela brasileira cujo título não recordo, ao modo como se desenvolvia na privacidade a relação entre um temível (fora do quarto de dormir!) "coronel" e uma capitosa proprietária (acho eu, porque eu não via a telenovela, só assisti a algumas cenas).
Estupefacção porque subitamente apercebi-me que aquilo que as pessoas mostravam ao mundo podia não ter nada a ver com o modo como elas se relacionavam na sua privacidade. E que isto era ainda mais gritante na área da sexualidade, este divórcio entre o que se quer aparentar e o que se é realmente.
Penso que os jovens acham que isto resolve os seus problemas e, no entanto, apenas os disfarça.
Lembro-me da estupefacção que me tomou há já bastantes anos atrás ao assistir, numa telenovela brasileira cujo título não recordo, ao modo como se desenvolvia na privacidade a relação entre um temível (fora do quarto de dormir!) "coronel" e uma capitosa proprietária (acho eu, porque eu não via a telenovela, só assisti a algumas cenas).
Estupefacção porque subitamente apercebi-me que aquilo que as pessoas mostravam ao mundo podia não ter nada a ver com o modo como elas se relacionavam na sua privacidade. E que isto era ainda mais gritante na área da sexualidade, este divórcio entre o que se quer aparentar e o que se é realmente.
Penso que os jovens acham que isto resolve os seus problemas e, no entanto, apenas os disfarça.
domingo, novembro 13, 2005
Solidão sexual
Estou a ler o último livro de John Irving, "Until I Find You". Vou ainda na infância do personagem principal. O tema que percorre mais obssessivamente as páginas referentes aos 4 anos passados na escola primária é a educação sexual que ele recebe - ele está numa escola de raparigas e é com elas que se dá essa aprendizagem.
Não pude deixar de pensar que, para mim, a sexualidade foi uma permanente fonte de sofrimento durante uma parte significativa da minha vida: é que durante muitos anos, o meu desejo foi impossível quer de se libertar quer de ser satisfeito. Primeiro por uma atroz ignorância (até quanto à identificação da fonte do sofrimento), depois por uma igualmente atroz timidez!
Por isso, causava-me imensa perplexidade (e dor!) que se glorificasse a vida sexual em termos sempre jubilosos, o que aconteceu muito nos anos que se seguiram ao 25 de Abril (eu tinha 16 anos nesta altura). Não compreendia como é que parecia tão fácil e tão bom tudo aquilo que para mim era tão longínquo e difícil de atingir como os Himalaias! E nunca ouvi ou li uma voz que expressasse as mesmas dificuldades ou o mesmo sofrimento por que eu passei.
Mesmo hoje em dia pouco se encontra expresso ou confessado sobre esta faceta da solidão...
É como se se assumisse que este problema fica resolvido com a masturbação ou com o recurso à prostituição. Ora, não fica: aliás, sou de opinião que não só não fica resolvido como ainda cria mais outros problemas (com a prostituição parece-me óbvio; não apenas por isso, mas também, ela nunca foi uma opção que eu escolhesse para mim).
Este é um assunto a que gostaria de voltar. Principalmente, porque parece cada vez mais eminente o aparecimento da disciplina de Educação Sexual nas escolas. Será lamentável se nela não vier contemplado este tipo de solidão e de sofrimento.
Não pude deixar de pensar que, para mim, a sexualidade foi uma permanente fonte de sofrimento durante uma parte significativa da minha vida: é que durante muitos anos, o meu desejo foi impossível quer de se libertar quer de ser satisfeito. Primeiro por uma atroz ignorância (até quanto à identificação da fonte do sofrimento), depois por uma igualmente atroz timidez!
Por isso, causava-me imensa perplexidade (e dor!) que se glorificasse a vida sexual em termos sempre jubilosos, o que aconteceu muito nos anos que se seguiram ao 25 de Abril (eu tinha 16 anos nesta altura). Não compreendia como é que parecia tão fácil e tão bom tudo aquilo que para mim era tão longínquo e difícil de atingir como os Himalaias! E nunca ouvi ou li uma voz que expressasse as mesmas dificuldades ou o mesmo sofrimento por que eu passei.
Mesmo hoje em dia pouco se encontra expresso ou confessado sobre esta faceta da solidão...
É como se se assumisse que este problema fica resolvido com a masturbação ou com o recurso à prostituição. Ora, não fica: aliás, sou de opinião que não só não fica resolvido como ainda cria mais outros problemas (com a prostituição parece-me óbvio; não apenas por isso, mas também, ela nunca foi uma opção que eu escolhesse para mim).
Este é um assunto a que gostaria de voltar. Principalmente, porque parece cada vez mais eminente o aparecimento da disciplina de Educação Sexual nas escolas. Será lamentável se nela não vier contemplado este tipo de solidão e de sofrimento.
sábado, novembro 12, 2005
O Inverno continua
Gostaria que as palavras que tento escrever queimassem esta página.
Mas não, só a cansam.
Mas não, só a cansam.
quinta-feira, novembro 10, 2005
Porque razão venho menos à net?
A verdade é simples: atravesso um Inverno intelectual - tenho poucas ideias e, ao mesmo tempo, pouca curiosidade.
Até a minha auto-formaçao profissional atingiu este ano lectivo, pela 1ª vez, o grau zero: não leio nada, não estudo nada.
Podia fazer literatura, mas não sei fazer da escrita, Arte.
E há que admiti-lo: quem procura beleza, emoção, pensamento ou humor fica muito melhor servido se deixar este blog e for visitar qualquer um dos que aqui ao lado se encontram listados!
Ah, também podia fazer como a Moranguita e postar perguntas e interrogações. Mas crianças como ela fazem-no, também, muito melhor do que eu.
Espero que, como o Inverno, isto seja passageiro.
Até a minha auto-formaçao profissional atingiu este ano lectivo, pela 1ª vez, o grau zero: não leio nada, não estudo nada.
Podia fazer literatura, mas não sei fazer da escrita, Arte.
E há que admiti-lo: quem procura beleza, emoção, pensamento ou humor fica muito melhor servido se deixar este blog e for visitar qualquer um dos que aqui ao lado se encontram listados!
Ah, também podia fazer como a Moranguita e postar perguntas e interrogações. Mas crianças como ela fazem-no, também, muito melhor do que eu.
Espero que, como o Inverno, isto seja passageiro.
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