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segunda-feira, agosto 02, 2021

José Afonso - Traz outro Amigo Também


Dada a educação muito restritiva dada pelo meu pai, foi pela leitura e pela música que aprendi como me relacionar com o mundo. Talvez por isso, houve três grandes sonhos na minha vida: o de uma sociedade fraterna que o 25 de Abril prometia, o de uma escola para expandir humanidade e comunidade, e o de uma relação afetiva profunda com alguém. Este último cumpriu-se. Quanto aos outros dois, vi-os desmoronarem-se completamente. Acho que nunca conseguirei superar isso. Até porque não sei o que posso fazer para, pelo menos, evitar que o desastre seja completo.

José Afonso - Traz Outro Amigo Também: um documentário imperdível a comemorar os 92 anos do seu nascimento.

Como com tudo o que se relaciona com o 25 de Abril e com as pessoas que o fizeram, vi largas partes deste documentário a chorar. Pelos sonhos destruídos, pela morte de tanta gente valorosa. José Afonso foi um dos maiores, ele que nunca quis mostrar-se mais do que aquilo que era: um lutador pela liberdade, tanto na sua vida prática do dia a dia, como na sua arte.

Para que na nossa memória o seu exemplo nunca desapareça.

terça-feira, outubro 17, 2017



«Devemo-nos, pois, preocupar com aquilo que cria a felicidade, já que com ela possuímos tudo e sem ela tudo fazemos para a obter.»


(Epicuro, Carta a Meneceu in Carta sobre a Felicidade e Da Vida Feliz, tradução de João Forte)






A disciplina que leciono este ano na Academia Sénior (Delegação de Faro/Loulé Cruz Vermelha Portuguesa) está ligada ao tema da felicidade. Há abertura ampla para incluir diferentes perspetivas (filosófica, política, etc.) que @s académic@s queiram introduzir, mas a que será privilegiada é a da psicologia científica (técnicas testadas em laboratório). Dentro desta, terão destaque a psicologia positiva, a psicologia evolutiva, a neuropsicologia e a psicologia social; apesar de não haver quaisquer intuitos terapêuticos, também serão consideradas algumas visões psicoterapêuticas (nomeadamente, as das chamadas de 3ª geração, também conhecidas como “terapias baseadas na aceitação”).

O objetivo é simples (embora nem sempre fácil de alcançar): aprender a tornarmo-nos mais felizes.

domingo, outubro 15, 2017

O receio de falar em público

Ao abordarmos as obras dos antigos, a sensação é de que tudo é tão novo e tão antigo ao mesmo tempo! Quantas vezes o encanto sobrevem do encontro das velhas palavras com as nossas vivências pessoais!

Vou falar perante uma assistência e sinto-me inseguro. Então, conforto-me recordando Telémaco cheio de embaraços sobre como se dirigir a Nestor, para saber notícias de Ulisses, seu pai. Aconselha-o, então, a deusa Atena “de olhos garços”:

«Telémaco, algumas coisas serás tu a pensar na tua mente;
outras coisas um deus lá porá: na verdade não julgo
que foi à revelia dos deuses que nasceste e foste criado»

(Odisseia, Canto III, 26-28, tradução de Frederico Lourenço)


(Marc Chagall - Atena e Telémaco)