Lembro Otelo Saraiva de Carvalho, por fazer hoje 85 anos que nasceu para, alguns anos mais tarde, planear e liderar o movimento que nos iria libertar da ditadura, a 25 de Abril de 1974.
Eu não esqueço.
A vida. Tão pouco e tão tanto. (...) E todavia eu sei que "isto" nasceu para o silêncio sem fim... (Vergílio Ferreira)
Lembro Otelo Saraiva de Carvalho, por fazer hoje 85 anos que nasceu para, alguns anos mais tarde, planear e liderar o movimento que nos iria libertar da ditadura, a 25 de Abril de 1974.
Eu não esqueço.
Como com tudo o que se relaciona com o 25 de Abril e com as pessoas que o fizeram, vi largas partes deste documentário a chorar. Pelos sonhos destruídos, pela morte de tanta gente valorosa. José Afonso foi um dos maiores, ele que nunca quis mostrar-se mais do que aquilo que era: um lutador pela liberdade, tanto na sua vida prática do dia a dia, como na sua arte.
Para que na nossa memória o seu exemplo nunca desapareça.
Desanima-me António Costa não ter a ambição de ser melhor do que os governantes anteriores, por exemplo, de não querer ser melhor do que Aníbal Cavaco Silva.
Mas, para mim, o pior de tudo é que, quando um estado, um governo e um presidente não celebram condignamente a vida de alguém que, como Otelo Saraiva de Carvalho, contribuiu clara e decisivamente para a implantação de uma sociedade melhor, isso permite a todos os arautos da destruição exaurirem ainda mais o nosso espaço democrático com a celebração da sua morte.
Nunca saberemos quem foi realmente este homem, de tão multifacetada que foi a sua vida e a sua personalidade.
Mas uma coisa sabemos que é absolutamente certa: graças a uma planificação e a um comando geniais, ele iniciou uma Revolução em direção à Democracia.
Eu vivi em ditadura até aos meus 16 anos: desses anos, praticamente, só tenho memórias cinzentas de medo e de violência – em casa, na escola, nas ruas.
Tudo se transforma em Luz e Sonho com o 25 de Abril. Graças a este homem, graças aos Capitães de Abril. Estou-lhe grato, estou-lhes infinitamente grato. É tudo; e é tanto que não há palavras que cheguem.
Wrestling Ernest Hemingway conta a história de um beberrão e cortejador (Richard Harris), que tenta flirtar várias mulheres, incluindo de uma forma mais autêntica a sua senhoria (Shirley MacLaine) – que, aliás, não vai na conversa dele – e que tenta travar uma amizade difícil com um refugiado cubano (Robert Duvall) que ama suavemente uma empregada de restaurante (Sandra Bullock, num papel de uma inolvidável doçura que me fez ficar apaixonado por ela da primeira vez que vi o filme).
Porque é um dos filmes da minha vida? Talvez porque, neste filme, Randa Haines trata da velhice, da solidão, da amizade possível, de amores que nunca chegam a realizar-se, com um humor e uma leveza que quase me causa um soluço de angústia sempre que o revejo.
José Afonso