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domingo, maio 16, 2021

Sobre o Assédio Sexual (artigo que talvez nunca deixe de estar em construção)

 


Há uma linha vermelha para o assédio que o distinga da sedução? Há. É quando uma das partes mostra inequivocamente que não quer e a outra continua a invadir o seu espaço íntimo. Há abuso? Há, quando, perante o não, a parte mais poderosa ameaça a outra e/ou se vinga dela. Há um verdadeiro crime de abuso? Há, quando ele é concretizado por via da força e da violência, principalmente quando há um grande diferencial de poder, por exemplo, no caso de um adulto na pessoa de uma criança.

Depois, há muitas situações menos claras. Por exemplo, entre duas crianças. Ou entre uma criança e um adolescente. Ou quando aquele que não quer sente um pavor tal que fica paralisado e não consegue sequer mostrar que não quer. Ou outras situações. Sejam elas quais forem, a prudência e a justiça mandam que talvez não devamos julgar a vítima (exceto se tivermos sido os juízes mandatados para o fazer).

 

Das muitas mulheres que amei a quem nunca cheguei a dizer ou sequer a mostrar que estava apaixonado, houve uma a quem, muitos anos depois, confessei o que tinha sentido. Ela exclamou: “Então, porque é que não disseste nada? É que eu também estava apaixonada por ti!”.

Naquela altura, esperava-se que fosse o homem a declarar-se. A mulher que o fizesse era bastante mal vista, principalmente se confessasse o seu desejo. Várias raparigas, frustradas perante a minha contenção (ainda por cima, eu era um bocado obtuso, não percebia se elas estavam ou não realmente interessadas em mim), perguntavam aos meus amigos da altura se eu era gay. Estes transmitiam-mo para ver se eu mudava de comportamento. Ora, eu tinha muito antes decidido não seguir esse código social, para grande perplexidade e incompreensão da parte delas (e deles também, diga-se a verdade). Portanto, não mudava, mas também não sabia como fazer de modo diferente (acrescento que essa decisão nasceu do terrível choque que foi para mim a leitura, em plena adolescência, do livro Escravatura Sexual, de Stephen Barlay). Creio que fui deste modo criando a pouco e pouco uma provável e errada reputação de homossexual.

Assim, por causa desta pressão social, na verdade, quantos homens poderão ser acusados de claro assédio sexual intencional e manipulador? De marialvismo, bastantes. De mulherengos, muitos. De incorretos, mal educados e boçais? Muitos mais do que seria de desejar. Mas alguém que não força, pergunta sempre, não constrange, não ameaça nem se vinga, estarei a ser injusto se puser a hipótese de que isso talvez não configure assédio sexual? Que aliás se define como:

Assédio sexual é todo o comportamento indesejado de caráter sexual, sob forma verbal, não verbal ou física, com o objetivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afetar a sua dignidade, ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador.


Alberto Caeiro

VIII - Num meio-dia de fim de Primavera

(…)

E, porque sabe que elas não gostam

E que toda a gente acha graça,

Corre atrás das raparigas

Que vão em ranchos pelas estradas

Com as bilhas às cabeças

E levanta-lhes as saias.

(…)

Este texto de Alberto Caeiro mostra como naquele tempo era considerado "engraçado" o levantar as saias às raparigas. Por isso, pergunto-me se haverá algum homem que possa dizer-se completamente inocente de assediar as mulheres? E, sendo assim, nós homens teremos algum direito ou alguma autoridade para dizer às mulheres os termos em que elas devem partilhar as suas queixas? Suponho que não.

Falando por mim, também eu levantei as saias a uma menina minha colega de turma uma vez, na escola primária (que era mista, algures entre 1966 e 1968) e lembro-me disso com uma nitidez que a imensa vergonha e mágoa que ainda hoje sinto mais acentuam. 

Depois de 1968 (ano em que entrei no 2º ciclo, mas agora numa escola já só com rapazes), algo deve ter acontecido, não me lembro do quê, porque comecei a defender as raparigas na rua de maus-tratos verbais e físicos (desde o simples molhá-las com pistolas de água no Carnaval até coisas mais graves). Podia fazê-lo porque eu tinha um físico possante e impunha respeito aos outros. Mas a tristeza e a vergonha que ainda hoje me assombram (lembro-me perfeitamente da rapariga a quem levantei as saias e do seu primeiro nome, bem como da forma aflita como reagiu), essas ficaram para sempre.


Às vezes, pergunto-me se os muçulmanos mais radicais não estarão, na sua sabedoria (se ela é válida ou não, é outra questão), a ver as coisas com uma lucidez que nos está a faltar a nós. O facto de obrigarem as mulheres a taparem a maior parte ou a totalidade do seu corpo para não excitar os impulsos selváticos dos homens, não estarão a demonstrar a visão que têm deles como primitivos subdesenvolvidos incapazes de autocontrolo?


Em suma, seja qual for o conteúdo e a forma da denúncia que for feita por uma mulher, o que eu sei é que, na dúvida, estou sempre do lado da vítima, do mais fraco, daquele que relata as coisas com mais incongruências (principalmente, se souber perfeitamente como não o fazer).

Conhecemos alguma mulher que não tenha nunca sido assediada sexualmente na rua? Portanto, quando as mulheres se queixam é provável que estejam a dizer a verdade. Eu, pelo menos, à partida respeito todos os seus testemunhos.

E também o que sei é que, nesta matéria que tem séculos, se não houver alguma violência da parte dos tradicionalmente fracos, nada mudará na relação de poder e de abuso.

Finalmente, sei que nesta e noutras áreas, se a mulher não se comportar como soldado perdido em território inimigo, na formulação feliz de Arturo Pérez-Reverte, é destroçada pelos homens (e pelas mulheres que se identificaram com os valores masculinos):

Não sei se todas as mulheres são assim, mas queria descrever uma mulher que é um soldado perdido em território inimigo. Creio que o último herói realmente romanesco que resta à cultura ocidental é a mulher. Reúne todas as características: tem de trilhar o mundo dos homens com regras feitas pelos homens; tem de ser tão ou mais eficaz que eles; os erros delas pagam-se mais caros do que os dos homens e, ao mesmo tempo, não deixa de ser mulher, de conservar toda a sua herança biológica, aquilo a que chamo «instinto de ninho».

sexta-feira, maio 07, 2021

Um filme sempre a ecoar em mim

 

Wrestling Ernest Hemingway conta a história de um beberrão e cortejador (Richard Harris), que tenta flirtar várias mulheres, incluindo de uma forma mais autêntica a sua senhoria (Shirley MacLaine) – que, aliás, não vai na conversa dele – e que tenta travar uma amizade difícil com um refugiado cubano (Robert Duvall) que ama suavemente uma empregada de restaurante (Sandra Bullock, num papel de uma inolvidável doçura que me fez ficar apaixonado por ela da primeira vez que vi o filme).

Porque é um dos filmes da minha vida? Talvez porque, neste filme, Randa Haines trata da velhice, da solidão, da amizade possível, de amores que nunca chegam a realizar-se, com um humor e uma leveza que quase me causa um soluço de angústia sempre que o revejo.

domingo, agosto 01, 2010

Antígona, de Sófocles

Do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Loulé...



...mas eu li esta versão de Helena Rocha Pereira, edição da Gulbenkian.

Sejamos francos: que posso eu dizer aqui que não tenha já sido dito milhares de vezes e de milhares de maneiras diferentes? A resposta é simples: nada! Ressalvado isto, adiante.

Trata-se de uma absoluta obra-prima, de poucas páginas e com milhares de leituras possíveis e provavelmente todas legítimas. Veja-se, por exemplo, que, sobre qual o tema ou o significado desta tragédia os especialistas ainda não chegaram a um consenso.

Assim, sinto-me à vontade para dizer que, primeiro que tudo, gostei de ler nesta peça o tema da inflexibilidade face à possível desonra, pois Antígona é drástica e intransigente perante aquilo que considera ser o seu dever em relação à sua consciência (Ismena também sabe qual o seu dever, mas abstém-se de se opor ao poder que a impede de o realizar). Secundariamente, o tema do lugar das mulheres no que se refere ao poder que é, muitas vezes (e Creonte fá-lo frequentemente), identificado com a masculinidade.

Vejo também Antígona (que aparece pouco) como o centro de toda a acção, visto que a sua postura inquebrantável põe todos os outros em causa. Além disso, apesar da sua intransigéncia e aparente posição rígida e unilateral, Antígona parece-me ser a personagem mais complexa e multifacetada da peça. Ela surge-nos como a voz não só da paixão pela justiça e pela verdade; mas também da beleza da acção boa e correcta; da responsabilidade perante a sua própria consciência (mesmo quando invoca os deuses); da coragem publicamente assumida; da recusa em curvar-se não só perante o poder, mas também às suas próprias desgraças; do império do amor sobre o ódio ("Não nasci para odiar, mas sim para amar"); da recusa de uma solidariedade feita mais de palavras do que de acções; e da de alguém que treme face ao suplício (por se sentir abandonada pelos deuses, um pouco como Cristo, aliás), mas que, logo a seguir, se recompõe e assume o seu destino.

Ismena é, no início, a voz da sensatez, lúcida, porém resignada e conformista. Depois, consegue vencer a sua fraqueza e exigir um castigo igual ao de Antígona, que esta aliás recusa.

Creonte é a voz do poder autoritário e inseguro, que à sua volta só vê fraqueza, cupidez e ânsia de poder como todos os que se habituaram a vencer pela força e pelo medo. E, claro, apenas mal se sente amedrontado é a derrocada total, revelando então a sua essencial mediocridade.

Hémon é a voz da razão adulta e ponderada, que domina completamente a paixão para melhor conseguir convencer seu pai (sem sucesso, claro, pelas razões que apresentei no parágrafo anterior). Depois, arrastado pelo desespero, liberta toda a violência do seu amor apaixonado, dirigindo-a contra si próprio.

O Coro é a voz de quem procura estar sempre consciente do que é melhor para a comunidade e, talvez por isso, é o melhor ouvinte, despreconceituado e objectivo, de toda a peça. Destaque-se a Ode ao Homem.

Tirésias é a voz daquele que conhece o passado e o futuro, é a voz do sábio. Que, note-se, é o único a conseguir vencer Creonte; para tal, usa apenas a sua sabedoria e a sua inteligência, e são estas que conseguem derrotar a mediocridade arrogante de Creonte.

Eurídice é a voz, silenciosa e digna, da dor e do desepero.

O Guarda. Faço aqui uma pausa. Sim, custa-me admiti-lo, mas esta é a voz de todos nós: a do medo do sofrimento e a da esperança de se safar custe o que custar. Mas nada melhor do que deixar aqui as suas próprias palavras, quando entrega Antígona a Creonte, que revelam toda uma vida, as nossas, no fundo:
"Acusámo-la das acções passadas e presentes; não negou coisa alguma, com prazer e pena minha, ao mesmo tempo. Porque isto de uma pessoa escapar de uma calamidade [o guarda tinha sido ameaçado de morte terrível se não encontrasse o culpado] é o melhor que há; mas é penoso levar à ruína aqueles que se estimam. Porém, tudo isto vale menos para mim do que a minha própria salvação." (434-441)

Sim, todos sonhamos ser Antígona. Mas não somos nunca (apesar de haver exemplos, Gandhi é um deles, sem dúvida). Se ao menos conseguíssemos ser Ismena, nem que fosse uma vez na vida, já não teríamos que nos envergonhar completamente. Lamentavelmente, porém, passamos toda a nossa vida a ser o Guarda; e, na maior parte do tempo, revelamos ser muito menos lúcidos do que ele...

Uma livro fantástico, absolutamente imperdível.

sábado, maio 09, 2009

Amantes feios

(...) «O que é que Léo achou de mim? Achou-me ao seu gosto. A minha explicação para isso é que também ele era malfeito. Tinha tido varíola em pequeno e ficara com as marcas. Era nitidamente mais feio que um anamita normal, mas vestia-se com muito gosto.»

Tanto pior que fosse malfeito. Tanto pior para as costureirinhas e para os corações sensíveis (a cujo grupo eu pertencia) que fantasiaram a propósito da beleza sensual do amante, a sua pele de seda, as suas mãos experientes, o seu corpo perfeito. O amante é feio e malfeito. (...)

(Adler, Laure, Marguerite Duras - Uma biografia, Quetzal Editores, 1999)

Ora, farto estou eu de histórias em que os protagonistas são sempre fisicamente atraentes (ou que ficam como tal depois de um adequado período de “patinho feio”)!
Desejo mesmo um livro ou um filme em que as personagens vivam um amor arrebatado e deslumbrante, mas que sejam feias e malfeitas, realmente feias sem qualquer apelo (porque, por exemplo, há as que, sendo feias, são, no entanto, encantadoras).
Ou em que pelo menos uma delas fosse mesmo feia.
E isso não fosse sinónimo de malvadez, ou de qualquer forma menos boa de carácter.
Personagens secundárias já vão surgindo assim, embora aparecendo sempre menores e mais ou menos patéticas.
Como seria, então? Como pegaria o(a) autor(a) no assunto nestas condições? Que emoções faria ele despertar em mim (excluindo naturalmente as da piedade e as suas variações)?

segunda-feira, abril 13, 2009

O que é que isto interessa?

Discute-se, com acrimónia e entusiasmo, se há o direito de dizer às funcionárias da loja do cidadão de Faro como é que se devem apresentar vestidas ao público. Fico perplexo.
Na verdade, se elas tivessem de trabalhar mais 2 ou 3 horas por dia, sem receberem horas extraordinárias, prejudicando a sua vida familiar e a educação dos seus filhos, como acontece com tanta gente, bom, isso já não seria assunto com interesse para trazer a uma discussão! No entanto, parece-me razoável pensar que este assunto é amplamente mais importante e com consequências muito mais graves para as pessoas e para a sociedade no seu todo. Ah, mas com isto não temos espectáculo, logo...

"(...) O essencial é invisível aos olhos" (Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho, Cap. XXI)
Esta frase tem hoje em dia um sentido tristemente irónico. Porque aquilo de que valeria mesmo a pena falar e discutir está invisível e, por isso, não se consegue que seja matéria para debate e troca de ideias, permanecendo assim cada vez mais na sua invisibilidade. E, infelizmente, a existir menos que a roupa das funcionárias da loja de Faro!...

domingo, novembro 16, 2008

Nós

A Amada é bela e profundamente única. Com o seu sorriso apenas põe-me a brilhar todo por dentro. E bebo nela a realização plena de todos os meus afectos.

Esta tem de ser a relação perfeita. Por isso não coloco a Amada num pedestal. Não há-de ser para mim a desilusão de descobrir na Amada o barro: eu já amo esse barro.

Aliás, como de certa forma exprimi atrás, não preciso da sua grandeza, quer a real quer a imaginada, para eu poder brilhar. Preciso de alguém que me acompanhe e a quem eu possa acompanhar. Alguém a quem olhar de igual para igual numa outra grandeza, esta agora compartilhada: a do nosso Amor.

É assim que quero continuar a viver a história deste encontro pleno e improvável.

terça-feira, novembro 04, 2008

Haiku


Uma gota de orvalho
A vida Uma gota de orvalho
E contudo...

(Primeira Neve, Issa Kobayashi, versões de Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim)

segunda-feira, outubro 20, 2008

A violência dos homens

"Crimes contra mulheres cada vez mais violentos.
(...)
Este ano houve 32 homicídios e 35 tentativas falhadas (...) mais onze casos do que os verificados ao longo de todo o ano de 2007.
"


Também sabemos que "Um em cada quatro jovens é vítima de violência no namoro".


E sobre as crianças então o número atinge valores inimagináveis. E não nos esqueçamos dos idosos.


Eis um retrato verdadeiramente assustador do Portugal de hoje, um retrato do qual me envergonho em absoluto. No qual a minha pena pelas vítimas sobreleva tudo. E a impotência.


Só me pergunto: se não for por mais nada (compaixão, por exemplo), onde estão a honra e a dignidade pessoal que levam a que um homem não se aproveite da sua força para violentar os mais fracos? Eu não percebo isto.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Oh! je voudrais tant que tu te souviennes

La Chanson de Prévert, Serge Gainsbourg



Oh! je voudrais tant que tu te souviennes
Cette chanson était la tienne
C'était ta préférée
Je crois
Qu'elle est de Prévert et Kosma

Et chaque fois les feuilles mortes
Te rappellent à mon souvenir
Jour après jour
Les amours mortes
N'en finissent pas de mourir

Avec d'autres bien sûr je m'abandonne
Mais leur chanson est monotone
Et peu à peu je m' indiffère
A cela il n'est rien
A faire

Car chaque fois les feuilles mortes
Te rappellent à mon souvenir
Jour après jour
Les amours mortes
N'en finissent pas de mourir

Peut-on jamais savoir par où commence
Et quand finit l'indifférence
Passe l'automne vienne
L'hiver
Et que la chanson de Prévert

Cette chanson
Les Feuilles Mortes
S'efface de mon souvenir
Et ce jour là
Mes amours mortes
En auront fini de mourir

Et ce jour là
Mes amours mortes
En auront fini de mourir


Les Feuilles Mortes, Yves Montand




paroles: Jacques Prévert
musique: Joseph Kosma


Oh! je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux où nous étions amis
En ce temps-là la vie était plus belle,
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois, je n'ai pas oublié...
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emporte
Dans la nuit froide de l'oubli.
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais.

C'est une chanson qui nous ressemble
Toi, tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions tous les deux ensemble
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement, sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants désunis.

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Mais mon amour silencieux et fidèle
Sourit toujours et remercie la vie
Je t'aimais tant, tu étais si jolie,
Comment veux-tu que je t'oublie?
En ce temps-là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Tu étais ma plus douce amie
Mais je n'ai que faire des regrets
Et la chanson que tu chantais
Toujours, toujours je l'entendrai!

terça-feira, setembro 09, 2008

Good Charlotte, Break Apart Her Heart

(...)
The only way you're gonna keep somebody around
Well I'm about to let you know

There's something I don't wanna understand
The only way a woman is gonna want a man
The only way you'll ever keep her in your hands
Is breaking apart her heart
Don't tell her she is the reason that you live
Don't give her everything that you got to give
If you want to keep the girl for as long as you live
Just break it apart her heart

(...)
There's truth about this, you say you want to be noticed
Well if you want to be noticed you gotta learn to break some hearts
Don't try to understand

(...)
I don't understand this cruelty
I don't understand... its just not me
I don't understand this cruelty
But now I see



quarta-feira, setembro 03, 2008

Porque não sorriem as modelos na passerelle?

Vejo a Fashion TV em casa alheia.
Ei-las a passar. São dezenas, centenas, milhares de modelos. Como o tic-tac de infinitos relógios, num fluxo contínuo, sem paragens.
Mas nem a mais leve sombra de um sorriso passa por aqueles rostos fúnebres. Porquê? Não pode ser por acaso; para ser traço comum a todas, tem de ser intencional. Mas porquê? Será o terror dos estilistas de que as pessoas se distraiam e não olhem para os vestidos?
Seja o que for, não consigo estar a assistir mais do que alguns minutos, aquilo incomoda-me e angustia-me: a beleza da mulher (e, sem margem para dúvidas, quase todas as mulheres podem ser belas) associo-a à vida em flor, não às máscaras de ferro da morte.

Já agora vejamos esta foto da Heidi Klum:



Aqui a vida ilumina, o sorriso e a nudez são símbolos claros e limpos de vida e de plenitude.
Gosto desta foto.
O efeito é curioso: a posição deitada, o sorriso feliz, o nosso olhar como que a debruçar-se sobre ela, a ser acolhido... mas, por outro lado, os braços cruzados; o tratar-se de apenas um momento; o sabermos que ela é casada com Seal, que tem 3 filhos; e o sentimento resultante é ambíguo: desejo e anti-desejo, ilusão de uma fotografia, provavelmente antiga, provavelmente retocada, a piscar-nos o olho, para sempre impedindo-nos de mergulhar nessa ilusão...

sexta-feira, agosto 15, 2008

Mulheres vítimas de violência

7 terrible abuses suffered by women around the world

(via 5dias.net)

Para começar a parar com isto: não ensinar as crianças a resolverem problemas recorrendo à violência.
Como? Não usando de violência com elas. Não usando de violência com quer que seja, na casa ou na rua.
Parece claro.

Mas, se depois, quando vão para a escola elas começam a ser vítimas da violência dos outros e não lhe sabem responder (como aconteceu com o meu filho)?

Não me venham com a treta de apelar para a escola, porque a escola hoje em dia
NÃO TEM MEIOS ABSOLUTAMENTE NENHUNS DE GARANTIR A INTEGRIDADE FÍSICA E PSICOLÓGICA DOS SEUS ALUNOS CUMPRIDORES E BEM COMPORTADOS! (eu sei do que estou aqui a falar, sou professor e pai)

E já não sei responder.

Mas sei que a responsabilidade dos homens (ajudados, admitamo-lo, por algumas mulheres que ajudam a perpetuar esta cultura e tradição - atente-se nas fotos do link acima) no sofrimento das mulheres é gigantesca e infinita. E isso causa-me uma infindável vergonha.


Adenda: repare-se que, em 3 das fotos, mulheres participam activamente nos abusos. Sim, todos sabemos que as mulheres têm sido responsáveis pela aplicação e manutenção de práticas abusivas e cruéis sobre elas próprias. É triste.
Terá isto alguma coisa a ver com o que as minhas colegas nunca se cansam de referir, que não há pior inimigo da mulher do que a própria mulher?

quinta-feira, agosto 14, 2008

Do Amor: algumas anotações

A maior diferença que encontro entre a pessoa em que me tornei hoje e o adolescente que fui é que, então, eu sonhava com o Amor, e agora não consigo deixar de sonhar com ele (pode-se aprender a não ser amado?).

Sempre tive a maior curiosidade em me informar sobre o Amor. Não percebi que, ao contrário, devia ter-me antes educado.

Apesar de reconhecer que o tratamento por "tu" é mais sensual e excitante, aprecio um tratamento por "você" que mantenha o mais tempo possível o mistério que somos um para o outro.

Acho a boa educação e a suavidade de maneiras altamente desejável quando me relaciono com uma mulher. No jogo de aproximações entre um homem e uma mulher, uma palavra grosseira, uma piada pesada, um beijo invasivo, etc, são como pedradas num charco: de certa maneira sentimo-nos salpicados de lama... mesmo quando conseguimos por fora um (sor)riso tolerante.

É aos cinquenta anos que eu fico a saber que falhei a minha vida. Para me salvar procuro reconhecer os meus limites: muitos deles têm a realidade apenas da imaginação. Vou-me descobrindo no alto-mar sem terra à vista. Mas é um começo. Um dia, talvez um dia, a encontre.

O primeiro inimigo do(a) tímido(a) no Jogo do Amor é o orgulho, a inaptidão para o ridículo. O segundo é a solidão, o aquário em que se meteu para fugir à dor inesperada: é que não é fácil sair dele (onde aliás já ninguém consegue verdadeiramente tocar-lhe).

Sonho amar uma mulher bonita. Mas só encontro raparigas velhas (dos 13, 14 anos aos 60, 65).

segunda-feira, julho 28, 2008

Fundo do Ambiente de Trabalho...



Admitamo-lo: há algo ali, no olhar, no cabelo.

...E é estúpido, eu sei, mas agora desligo o computador sempre com um sorriso.

quarta-feira, maio 07, 2008

He Wishes for the Cloths of Heaven

Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.


W.B. Yeats (1865–1939)
The Wind Among the Reeds, 1899