quarta-feira, agosto 13, 2008

Randy Pausch, Professor

Esta é a sua famosa última aula dada em 18 de Setembro de 2007, na Universidade de Carnegie Mellon, antes de morrer.
Vale cada minuto que utilizemos da nossa vida a ouvi-la.



Aqui a indicação do livro a que deu origem.

Aqui a notícia do Público, com um curtíssimo excerto legendado do vídeo (tirado do início e do fim da aula)

I think the only advice I can give you on how to live life well is ... - um curto vídeo do seu discurso na cerimónia de formatura na sua Universidade em 18 de Maio de 2008.

Faleceu a 25 de Julho de 2008.

terça-feira, agosto 12, 2008

Mark Twain


It is by the goodness of God that in our country we have those three unspeakably precious things: freedom of speech, freedom of conscience, and the prudence never to practice either.




(via Success Soul)

segunda-feira, agosto 11, 2008

Obedience To Authority (2)

(1) aqui.

"(...) O objectivo da experiência é determinar até onde vai uma pessoa, numa situação concreta e mensurável, em que lhe é ordenado que inflija sofrimento e dor crescentes [através de electrochoques] numa vítima que protesta e se queixa. Em que ponto é que o sujeito se recusa a obedecer ao experimentador?
(...)
A reacção inicial do leitor à experiência poderá ser perguntar-se porque é que alguém no seu juízo perfeito haveria de administrar até mesmo os primeiros choques. Não seria de recusar simplesmente e sair do laboratório? Mas o facto é que ninguém jamais o faz. Desde o momento em que entra no laboratório para ajudar o experimentador, o sujeito está mais do que disposto a iniciar os procedimentos. (...)
(...)
Muitos sujeitos obedecerão ao experimentador independentemente do quão fortes ou veementes sejam os pedidos da pessoa a sofrer os choques eléctricos, independentemente de quão dolorosos os choques pareçam ser, e independentemente de quanto a vítima suplica para a deixarem sair. Isto foi visto vezes sem conta nos nossos estudos e foi observado em várias universidades onde a experiência foi repetida [nos Estados Unidos, Alemanha, Itália, África do Sul e Austrália (p. 171)(*)]. É a extrema boa vontade e disponibilidade de adultos para irem a quase qualquer extremo sob as ordens de uma autoridade que constitui a principal descoberta do estudo e o facto a exigir mais urgentemente uma explicação.
(...)"

Milgram, S. Obedience To Authority. London: Pinter & Martin Ltd, 2005. (pp 5 - 7)

(*) Aqui referem-se também os seguintes países: Reino Unido, Jordânia, Espanha, Áustria e Holanda.

domingo, agosto 10, 2008

Museu Nacional de Etnologia


Excelente museu!
Modesto, mas muito bonito e com funcionários muito simpáticos.

Obrigatório ver a exposição "Pinturas cantadas: arte e performance das mulheres de Naya" e o respectivo documentário: das doces, corajosas e sorridentes mulheres de Naya, acrescento eu.

Também comovente a exposição "Drôty.sk: a arte do arame": da Eslováquia, um país que conquistou a minha simpatia quando lá estive, o trabalho delicado, inventivo, muitas vezes útil e sempre belo de se ver dos artesãos de antigamente e dos artistas de hoje.

Depois as visitas amigavelmente guiadas ao "Mundo rural português" e aos "Índios Wauja da Amazónia".

Comprados os catálogos das exposições, beber uma bebida fresca na esplanada e ou comer qualquer coisa, conversar simpaticamente com outros visitantes do museu sobre o que se viu e ouviu, ou ler um pouco, e assim se completa um domingo bem passado.

Pena de morte?

Há uns dias escrevi isto a propósito do pai que abandonou os filhos na estrada:

"Gostaria de poder dizer que a culpa é de Sócrates que instituiu um clima de falsidade, de crueldade e de inveja, e erigiu tudo isto a valores do regime.
Gostaria de poder dizer que a culpa é das pessoas que acham que ser-se bom não dá "pica".
Gostaria de poder dizer que a culpa é do dito pai. Mas sobre isto nada sei dizer, porque tudo o que se diga é dizer pouco.
Posso dizer que a culpa é minha por todas as vezes em que fui cruel, ou em que deixei passar em silêncio a crueldade dos outros. Isto, eu sei."

Assisti por vídeo à execução de um criminoso. A razão apresentada para tal acto foi ele estar a ameaçar de morte uma vítima inocente.
Toda a gente mostrou uma desmesurada alegria pelo acto.
Mas eu questiono-me.
A pena de morte foi legalizada em Portugal? Ou já se pode matar para prevenir crimes de morte? Ou seja, sempre que alguém apontar uma arma à cabeça de outra, o assassínio fica automaticamente justificado? Isto sempre sem passar pelos tribunais, claro.
Se eu fosse um dos reféns como estaria a sentir-me agora? Aliviado, sim, sem dúvida. Mas o facto de toda a gente dizer, sem o dizerem explicitamente, que eu fui a causa da morte de um ser humano, isso deixar-me-ia indiferente? Ou agoniado?
E, finalmente, se o executado fosse português, sem cadastro tal como eles, e a execução fosse no Brasil, por um sniper brasileiro, o gáudio geral seria o mesmo (como João Marcelino e Ferreira Fernandes)?
Sinto-me inquieto. Não sei se este é o país com que me identifico. Além disso, estarei alguma vez a salvo no meio deste ódio todo, no meio desta miserável alegria?

Nota: JoãoMarcelino no DN: "(...)
Solidarizo-me com a dor deles. (...)" Com a das vítimas? Com a da família das vítimas? Com a da comunidade brasileira em Portugal? Com a dos reféns, por se poderem sentir a causa da execução? Não, não, não e não. A solidariedade (a identificação?) é com os carrascos... A Loucura da Normalidade (Arno Gruen)

sexta-feira, agosto 08, 2008

Quadrilha de malfeitores

A minha amiga, paraplégica, filha única, pai falecido, mãe com Alzheimer (num lar privado, que os da Segurança Social não têm lugar), recebia do IRS cerca de 600€.
Este ano teve de pagar 500€.
O roubo é de cerca de 1100€.

Ainda não há muito tempo, gente desta seria corrida à chicotada.
Hoje chegam a governantes.
Sinal dos tempos.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Só

Simplesmente. Não contra nada nem ninguém. Apenas aceitar. Sem resignação.

O que se ganha: uma vida muito, muito intensa, para o bem e para o mal. Sem distracções.
Por exemplo, um banho no mar - e é a felicidade absoluta, total.

O que se exige para o conseguir: uma disciplina mental e física, não direi férrea, mas espartana, sem dúvida.

A saber, sem preocupação de ordem:

- Não olhar para o passado, seja com nostalgia, com piedade, ou com revolta... E nunca perder tempo a imaginar que teria sido melhor "Se eu tivesse feito de maneira diferente..."

- Nunca recriminar nada nem ninguém pelo que se viveu de menos bom.

- Manter uma actividade mental exigente, para não ficar estúpido: por exemplo, preferir a leitura de ensaios à de ficção; e, dentro desta, optar pelas biografias não autorizadas (autobiografias é que nunca, pois são demasiado falsas e complacentes).

- Não ter dependências: de pessoas, cigarros, álcool ou drogas (nem das legais nem das outras).

- Evitar devaneios com o lado amoroso, bom e doce das mulheres, dado que é apenas um lado entre muitos e, hoje em dia, de acordo com a moda (elas pensam que assim não dão "pica"), um dos mais efémeros e menos valorizados.

(Aliás, quando alguém se refere a uma pessoa do outro sexo, as palavras ditas vêm de um fundo que se estende desde a amargura até à ironia, sem passar pela doçura. Tempos ásperos, estes. E as pessoas vivem resignadas a esta indigênia emocional.)

- Não ver TV e fechar-se a qualquer tipo de publicidade, pois ambas instilam desejos e expectativas ilusórias e, muitas vezes, antagónicas com a realidade.

- Manter uma actividade física exigente, senão fica-se mole.

- Para evitar o entorpecimento intelectual e dos sentidos, levar uma vida frugal, comer pouco mas variado (doces estão totalmente fora de questão).

- Ter um objectivo, pelo menos, em mente que possa ser alcançado na actualidade; não adiar para um futuro vago a luta por o conseguir.

- Manter uma higiene pessoal rigorosa e intransigente, o sentido da dignidade começa aqui.

- Nunca gastar forças a ruminar no que falta, mas viver e aproveitar conscientemente o que se tem.

sábado, agosto 02, 2008

Enfim, ...



Dr. David Erneman para Susanne Verin:
- Não, eu não a amo. Mas quero tocá-la, quero que o seu fogo alivie o meu entorpecimento. (...)




(Uma Lição de Amor, Ingmar Bergman, 1954)

sexta-feira, agosto 01, 2008

Princípio

Amar genuinamente as mulheres em geral. Mas não amar verdadeiramente nenhuma mulher real, concreta.

Ser consequente: viver só (sem fazer ninguém infeliz) e sem se queixar. Assim, talvez não se deixe de ser Homem.

segunda-feira, julho 28, 2008

Fundo do Ambiente de Trabalho...



Admitamo-lo: há algo ali, no olhar, no cabelo.

...E é estúpido, eu sei, mas agora desligo o computador sempre com um sorriso.

sexta-feira, julho 25, 2008

Obediência à autoridade (1)

Livro terrível e magnífico! E isto é dizer pouco!

Stanley Milgram espanta-se e espanta-nos com o comportamento de pessoas, homens e mulheres normalíssimos, que aplicam choques eléctricos, cada vez mais devastadoramente potentes, a um outro ser humano... apenas porque há alguém, com ar de ter autoridade, que lhes diz para o fazerem!

Nem um único se recusou de início a fazê-lo!

Na capa do livro está fotografia de um dos sujeitos da experiência a carregar na mão da vítima para ela apanhar um choque eléctrico.

Há informação deste estudo aqui e aqui.

Mas a leitura do livro é indispensável, pois tem as reflexões insubstituíveis do próprio Stanley Milgram, bem como muitíssima mais informação sobre todos os estudos (com todas as suas variantes a cobrir todos os aspectos relevantes no que toca à obediência) que ele realizou....

domingo, julho 20, 2008

Leonard Cohen


"Remember me, I used to live for music."










(Sim, as t-shirts traziam os versos que escolhi ontem. Sim, ele recitou-os antes de os cantar. "In these times of chaos...", disse ele)

sábado, julho 19, 2008

Daqui a um bocado vou para Algés ao concerto de Leonard Cohen.
Decidi dar uma leitura a todos os poemas das canções, porque os versos que durante décadas foram o lema da minha vida têm de ser substituídos, visto representarem agora muito mais um fracasso que uma promessa:

I look for her always
I'm lost in this calling
I'm tied to the threads of some prayer
Saying, When will she summon me
When will she come to me
What must I do to prepare
When she bends to my longing
Like a willow, like a fountain
She stands in the luminous air
And the night comes on
And it's very calm
I lie in her arms and she says, When I'm gone
I'll be yours, yours for a song


The crickets are singing
The vesper bells ringing
The cat's curled asleep in his chair
I'll go down to Bill's Bar
I can make it that far
And I'll see if my friends are still there
Yes, and here's to the few
Who forgive what you do
And the fewer who don't even care
And the night comes on
It's very calm
I want to cross over, I want to go home
But she says, Go back to the World.

Do álbum "Various Positions", The Night Comes On.

E cheguei a estes, do álbum "The Future", Anthem:

Ring the bells that still can ring.
Forget your perfect offering.
There is a crack in everything.
That's how the light gets in.

É com estes versos que vou para o concerto, estes os versos que vão ser um eco da minha vida a partir de agora.

sexta-feira, julho 18, 2008

Auto-estima: a fraude

Não conheço ninguém que goste de mim o suficiente para viver comigo 24 horas por dia durante uma vida inteira.
Ora eu vivo comigo 24 horas por dia (mas sou obrigado).
Parece-me natural que eu não goste (e que nunca venha a gostar) de mim assim por aí além, não havia de ser eu a excepção.
Portanto, a conclusão necessária é que é pouco mais que inútil a luta para gostarmos de nós próprios, pois trata-se de uma batalha perdida.
Lutar para conseguirmos evoluir como pessoas, respeitar-nos a nós próprios, divertirmo-nos connosco mesmos, realizarmo-nos (pessoal e profissionalmente), isso sim, valerá a pena porque está ao nosso alcance.
(Será que os gurus da auto-estima nunca pensaram nisto?)

quinta-feira, julho 17, 2008

O ódio (II)

Sócrates e Lurdes Rodrigues têm de odiar e dizer sempre mal dos professores.
Se não o fizessem, teriam a desagradável sensação de, nos últimos anos, terem vindo a proceder como uns patifes em relação aos professores.
Desta maneira, têm podido alegar (para si próprios ou para os outros) que mesmo as mais torpes das suas iniciativas resultaram de uma genuína convicção.
Esta vil manobra faz descansar qualquer consciência pouco exigente (os nazis que o digam).

segunda-feira, julho 14, 2008

Exames e erro dos professores

Penso que os professores reagiram erradamente aos exames deste ano.
Pela primeira vez os exames, nomeadamente os do 9º ano, estão realmente de acordo com o sistema de ensino como ele existe actualmente: um sistema em que um aluno, por exemplo, pode passar, no 7º e no 8º, com "negativas" a todas as disciplinas; ou pode estar suspenso os dias que estiver e fica com todas as faltas justificadas automaticamente; etc, etc.
Portanto, agora é que os exames estão correctos e adaptados às exigências que o sistema de ensino põe aos alunos, não os dos anos anteriores (que serviram unicamente um propósito político bem definido, com total desprezo pelas pessoas dos alunos).

Quando os professores reclamam da facilidade destes exames estão a enveredar por um caminho suicidário. Com exames exigentes e com o sistema de avaliação que vai entrar em funções, os professores "lixam-se". Eles não conseguem promover um ensino exigente quando são impedidos de o fazer de todas as maneiras imagináveis.

Além disso, este movimento de facilitismo no ensino é imparável e irreversível. Simplesmente porque abre um mercado de educação muito lucrativo (não esquecendo a satisfação das famílias por os alunos completarem os diferentes graus de ensino sem nunca reprovarem). São as escolas privadas com procuras gigantescas, são os mestrados e doutoramentos (porque o processo de Bolonha o que é senão também um passo nesta direcção? Licenciaturas vão ser completamente banalizadas) sempre a pagar e a pagar bem.

Há demasiado dinheiro a ser ganho com este facilitismo para que ele possa vir a desaparecer.


Nota: Estamos numa sociedade esquizofrénica? Quando a Ministra mente, toda a gente louva as suas palavras e enche-a de elogios. Quando fala verdade (muito raramente, é certo), cai-lhe toda a gente em cima a chamá-la de mentirosa: foi assim quando disse que não tinha cedido em nada de significativo aos sindicatos sobre a avaliação dos professores (como as escolas estão a verificar já) e é assim quando agora diz que estes exames foram fiáveis e de muito boa qualidade.Vivo num mundo muito estranho...

terça-feira, julho 08, 2008

O dilema do prisioneiro e as escolas

Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia.
A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença.
Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um.
Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia.
Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro
.

(para ver mais desenvolvimentos sobre este dilema: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro)

Trata-se aqui de saber como vai proceder cada um dos prisioneiros.

1) Se eu não confessar e o outro também não, safamo-nos os dois com poucos estragos.

2) Mas se o outro decidir confessar e eu não, ele safa-se e eu estou completamente tramado.

3) Se confessarmos os dois (aparentemente a hipótese mais relaxante) as consequências são pesadas mas, de alguma forma, limitadas.

4) E, claro, se eu confessar e o outro não, estou safo... a menos que, depois, a autoridade decida que "Roma não paga a traidores" e eu acabe também por me lixar.

Ora é este dilema que as escolas estão neste momento a viver. Se em vez da palavra “confessar” pusermos “avançar com os procedimentos para a contratação de um director”, temos este dilema no seu estado quase puro. Veja-se:

1) Se a minha escola não avançar e as outras também não, safamo-nos todos com poucos estragos.

2) Mas se as outras escolas decidirem avançar e a minha não, elas safam-se e a minha fica completamente tramada.

3) Se avançarmos todos (aparentemente a hipótese mais relaxante) as consequências são pesadas mas, de alguma forma, um pouco mais controladas.

4) E, claro, se a minha avançar e as outras não, a minha escola está safa... a menos que, depois, o ME decida que “Roma não paga a traidores”!

O meu palpite: a maior parte está a avançar, com as esperanças postas na hipótese 3).

A realidade na minha escola: quando foi da avaliação, apostaram também na hipótese 3) e trabalharam que se desunharam... para nada, porque acabou por funcionar a hipótese 1).

Avanço ainda uma constatação preocupante: vivemos numa sociedade que pressiona toda a gente para o conformismo, fazendo aparecer como uma aberração ou, pelo menos, como uma estupidez, qualquer iniciativa que não tenha a garantia de ser assumida pela maioria das pessoas ou organizações.

Assim, se isolada ou individual, a acção, ainda que correcta, não consegue que lhe seja atribuída qualquer valor. E as pessoas desistem.

sexta-feira, julho 04, 2008

Respeito por si próprio

"A mais longínqua afirmação de liberdade, ou seja o seu anúncio primeiro, reside, depois dos Estóicos e de Descartes, diz-nos Sartre, na possibilidade de dizer «não».
(...)
Assim, negando e porque negamos, recusamos a nós próprios a condição de «coisa», (...)"

(Vergílio Ferreira, Da Fenomenologia a Sartre)

terça-feira, julho 01, 2008

Salgueiro Maia

Nasceu a 1 de Julho de 1944 em Castelo de Vide.

"Filho e neto de ferroviários, como gostava de ser reconhecido, Salgueiro Maia era profundamente aristocrata em toda a sua maneira de ser e de pensar. Só um aristocrata é capaz de ter o desprendimento das coisas e do mundo que ele tinha e o mundo interior que soubera construir. Como diz um grande poeta português, a aristocracia é acima de tudo a ambição de ser e não a avidez de ter. Maia sabia que “era”, mas essa consciência do valor e da vida não a transformava nunca num poder de manobra para ter o que a inveja ou a maldade dos outros lhe negara sempre. E, por isso, tinha o sabor de uma ironia crítica e um profundo orgulho de ser exactamente aquilo que era."

(Francisco Sousa Tavares, O Sereno Herói de Abril, in Salgueiro Maia, Capitão de Abril – Histórias da Guerra do Ultramar e do 25 de Abril – Depoimentos, Editorial Notícias, Lisboa, 1994, pp 115 - 119)

sábado, junho 28, 2008

House Of The Rising Sun



Geordie:
Brian Johnson (lead vocals) - Antes de ir para os AC / DC
Vic Malcolm (lead guitar)
Tom Hill (bass guitar)
Brian Gibson (drums)

domingo, junho 15, 2008

Onde estou e para onde me mobilizo

Morte de Deus, reversão aos nossos estritos limites, encontro connosco mediante a presença de nós a nós e à vida, mediante a revivificação do que nos é original pela apreensão do que nos é original, a reabsorção ou transcendência à originalidade do que se esterilizou em secura (...)

(Vergílio Ferreira, Da Fenomenologia a Sartre)

terça-feira, junho 10, 2008

Ainda Lawrence Durrell e "Clea"

"(...) e depois a Primavera apressou-se a ceder a este magnífico e último Verão, que chegou aos poucos, como se viesse de alguma latitude longamente esquecida que o Éden tivesse durante muito tempo desfrutado em sonho e maravilhosamente descoberto mais tarde entre os pensamentos dormentes da humanidade. Fundeou entre nós uma nave maravilhosa que lançou ferro diante da cidade e colheu as velas brancas como as asas de uma gaivota. Ah, procuro as metáforas capazes de evocar a felicidade penetrante raramente concedida àqueles que amam; (...)" (241)

(...) Lastimável não ser possível capturar a brilhante plumagem desse Verão, pois na velhice não teremos senão estas parcas recordações para alimentar a nossa nostálgica felicidade. Será a memória capaz de reter os quadros destes dias incomparáveis? Duvido... Na sombra lilás e espessa das velas brancas, debaixo dos sombrios cachos de figos, ao meio-dia, nas rotas lendárias dos desertos, onde progridem as caravanas de especiarias e onde as dunas afiladas sobem aos céus para captar, no seu sono deslumbrado, o palpitar das asas das gaivotas que passam como flocos de espuma? Ou as chicotadas geladas das vagas nos pontões desmantelados das ilhas esquecidas? E o sereno que tomba sobre os portos desertos, onde as velhas balizas árabes apontam os dedos enferrujados? A soma destas coisas há-de certamente subsistir algures. Contudo, ainda não assombraram a memória. Os dias sucediam-se no calendário do desejo, e as noites voltavam-se docemente no sono para repelir as trevas, inundando-nos de novo com a luminosidade real do Sol. Tudo conspirava para esta harmonia serena." (242)

"(...) as vinhas amadurecem docemente para testemunhar que, muito depois de os homens terem cessado de brincar com os instrumentos de morte por meio dos quais exprimem o seu medo de viver, os antigos deuses sombrios continuarão ali, debaixo da terra, ocultos no húmus... Estão indelevelmente enraizados no sonho dos homens. Jamais capitularão!" (301)


No Quarteto de Alexandria, para além da profunda miscigenação entre as paisagens (quentes e insuportavelmente luminosas, mesmo quando nocturnas) e os seres, existe uma permanente preocupação de não cair na vulgaridade, de não apresentar nunca personagens vulgares: eis por onde surge a minha adesão total a esta obra.

sábado, junho 07, 2008

Lawrence Durrell

A acabar de reler o Quarteto de Alexandria: Justine, Baltasar, Mountolive e Clea (que tenho agora entre mãos).
Vêm-me estes livros da distante juventude, do início do Verão para cumprir. É esse sopro ainda que eu respiro ao lê-los.
Embora sem a esperança de então.

"Baltasar dizendo: «Este mundo representa a promessa de uma felicidade única para a qual, contudo, não estamos apetrechados.»"

É disto que o Quarteto trata e que procura resolver. Bem?
Sem resposta, só a que cada um encontrar dentro de si.
Se...

domingo, junho 01, 2008

O ódio

O ódio aos professores

O ódio aos professores não se dirige a mim como pessoa, porque no fundo não me conhecem, nem sabem o que faço ou não.
Como esse ódio não tem relação com aquilo que sou, então tudo é acaso.
Faça eu o que fizer.


O ódio à Ministra da Educação e sicários

Sempre fui contra a diabolização da ministra.
Porque quanto mais se diaboliza a personagem
(e ela não é mais que uma personagem, efémera como todas)
menor é a atenção que se dedica à realidade que ela procura distorcer ou ignorar.

segunda-feira, maio 26, 2008

Pobreza e Civilização

(...) considera-se tanto mais civilizado um país quanto mais sábias e eficientes são as suas leis que impedem o miserável de ser demasiado miserável, e o poderoso de ser demasiado poderoso. (Se Isto É Um Homem, Primo Levi)

"O relatório do Eurostat, o organismo estatístico da União Europeia, sobre a situação social nos estados-membros confirma que Portugal é o país com mais desigualdade na distribuição de rendimentos entre os 25 e é o único que apresentava um desnível entre pobres e ricos superior ao dos Estados Unidos. (...)" (Público, 23-05-08)

sábado, maio 24, 2008

Sem Destino, Imre Kertész

Abre hoje a Feira do Livro de Lisboa.

Se não há dinheiro ou tempo para mais nada, pelo menos este livro:


Não vou dizer porquê, ponho aqui apenas uma nota sobre esta obra:

Um rapaz conta a sua vida de judeu húngaro em pleno nazismo.
Ele aceita tudo o que lhe acontece, procurando explicar e comprender as atitudes e comportamentos dos verdugos, alemães ou não.
Busca cumprir com o que lhe vão impondo como sendo as suas obrigações.
A dada altura percebemos que o ser humano, que nos fala e que nos vai descrevendo a sua história de boa vontade e de conformismo, está vivo mas transformou-se literalmente num moribundo.

Volto para enfatizar este ponto:
O rapaz vai arranjando sempre uma explicação razoável para o que lhe está a ser feito.
Quando a não consegue encontrar, pensa sempre que podia ser pior e conforma-se.
Vê bondade e boas intenções nas expressões mesmo dos que o tratam como se ele fosse uma coisa ou um animal.
Aquilo que o humilha, mesmo assim, ele reduz considerando que são ninharias com que será ridículo perder tempo.
Ninharias ou não, ele vai sempre aceitando tudo quanto os algozes lhe dizem que são coisas necessárias...
...E, destes diferentes modos, ele vai convertendo o intolerável em, não só aceitável, como mesmo defensável.

quinta-feira, maio 22, 2008

Dogville, de Lars von Trier


Pai de Grace: A única coisa que tu culpas são as circunstâncias. Violadores e assassinos podem ser vítimas, em tua opinião. Mas na minha são cães, e se lambem o próprio vómito só os podemos impedir a chicote.

Grace: Os cães seguem a sua natureza: não lhes devíamos perdoar por isso?

P: Os cães podem aprender muitas coisas úteis, mas não, se lhes perdoarmos sempre que eles seguirem a sua própria natureza.

G: Então, sou arrogante. Sou arrogante por perdoar às pessoas?

P: Meu Deus, não consegues ver o quão condescendente és ao dizeres isso? Tu tens esta noção pré-concebida que ninguém – ouve! – ninguém pode chegar aos mesmos padrões éticos que tu e, por isso, perdoas tudo. Não consigo imaginar nada mais arrogante que isso. Tu, minha filha, minha querida filha, tu perdoas aos outros com desculpas que nunca aceitarias para ti própria.

G: Porque é que não posso ser compassiva?

P: Não, podes ser, deves ser, quando for a altura de ser compassiva. Mas tens a obrigação de manter os teus próprios padrões, tu deves-lhes isso, tu deves-lhes isso. O castigo que tu mereces para as tuas transgressões, eles merecem para as suas transgressões.

G: Eles são seres humanos...

P: Não precisam todos os seres humanos de serem responsáveis pelas suas acções? Claro que sim, que precisam, só que tu nem lhes chegas a dar essa oportunidade. E isso é extremamente arrogante. Eu amo-te, eu amo-te, eu amo-te até à morte, mas tu és a pessoa mais arrogante que já conheci até hoje. E é a mim que achas arrogante! Não tenho mais nada a dizer.

(...)

G: As pessoas que aqui vivem fazem o melhor que conseguem dadas as circunstâncias em que vivem, circunstâncias muito duras.

P: Se tu o dizes... Mas será o melhor delas suficientemente bom? E gostam elas de ti?

(...)

Narrador: E de repente soube demasiadamente bem a resposta à sua questão, à sua dúvida.
Se ela tivesse agido como eles, ela não conseguiria encontrar uma única desculpa para as suas acções e nunca conseguiria castigar-se a si própria o suficiente.
Era como se a sua pena e a sua dor tivessem encontrado o seu lugar correcto.
Não, o que eles tinham feito não era suficientemente bom.
E, se alguém tinha o poder de corrigir as coisas, então era seu dever fazê-lo, para o bem de outras vilas, para o bem da humanidade.
E não por último, para o bem do ser humano que era Grace, ela própria...

(transcrição feita a partir do filme)

domingo, maio 18, 2008

Asco

"Cerca de 80% dos aviões que chegam a Fortaleza levam homens sozinhos, à procura de companhia, e o Brasil está no topo da lista de países com mais prostituição infantil. São, na sua maioria, portugueses, espanhóis e italianos." (Visão, 15/5/2008, p. 10)

"A barbárie não é apenas um elemento que acompanha a civilização, faz parte integrante desta." (Edgar Morin)

sábado, maio 17, 2008

"You and we are one and the same.You have shattered this image in me. How will you fix it?"



(via Gabriel Silva, Blasfémias)

"Como um judeu de outras épocas" (*)

Um dia eles vão pagá-las.
Os governantes que inventaram dezenas de leis para humilhar e destruir.
A população que, arrastada pela propaganda governamental, apoiou e expandiu essas humilhações para além dos limites minimamente aceitáveis.
Todos vão pagar.

E eu, vou ficar contente?
Não, não vou.
Porque, mesmo com o sonho achincalhado e com a devastação imposta aos mais fracos, nunca haverá pagamento suficiente para saldar as dívidas que, abertas, toda uma sociedade não tem parado de fazer crescer e engordar.


(*) (título retirado de Ribeiro, Gabriel Mithá, A Lógica dos Burros, Pub. Europa-América, 2007, p.64)

quarta-feira, maio 14, 2008

vilanagem

Um líder que exige sacrifícios aos outros;
que não tem força de carácter suficiente para fazer, de entre eles, um dos mais insignificantes;
e que, depois, para fugir à responsabilidade, mente ao dizer "que desconhecia que estava a violar a lei"...
... Esse líder é simplesmente um cobarde.

sábado, maio 10, 2008

Mercedes Sosa, Solo Le Pido A Dios



Solo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente,
Que la reseca Muerta no me encuentre
Vacia y sola sin haber hecho lo suficiente.

Solo le pido a Dios
Que lo injusto no me sea indiferente,
Que no me abofeteen la otra mejilla
Después que una garra me araño esta suerte.

Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente,
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente.


Solo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente
Si un traidor puede mas que unos cuantos,
Que esos cuantos no lo olviden facilmente.

Solo le pido a Dios
Que el futuro no me sea indiferente,
Desahuciado esta el que tiene que marchar
A vivir una cultura diferente.

Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente,
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente.


(León Gieco)

quarta-feira, maio 07, 2008

He Wishes for the Cloths of Heaven

Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.


W.B. Yeats (1865–1939)
The Wind Among the Reeds, 1899

sábado, maio 03, 2008

Tocando em frente


Almir Sater escreveu e canta (a composição foi com Renato Teixeira)










(Edição de imagens Ivanete Lilja Viamão Rs)


Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei,
nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs.
É preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder seguir,
é preciso a chuva para florir.

Sinto que seguir a vida seja simplesmente
conhecer a marcha, ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs.
É preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder seguir,
é preciso a chuva para florir.

Sinto que seguir a vida seja simplesmente
conhecer a marcha, ir tocando em frente
Cada um de nós compõe a sua própria história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
de ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs.
É preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder seguir,
é preciso a chuva para florir.

Sinto que seguir a vida seja simplesmente
conhecer a marcha, ir tocando em frente
Cada um de nós compõe a sua própria história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
de ser feliz

quarta-feira, abril 30, 2008

Um sistema de ensino eficaz

"(...) é verdade que o país estava num estado lastimável, do ponto de vista da ciência e da tecnologia. Mas quase metade da população era analfabeta e em número de licenciados e doutorados estávamos muito atrás de todos os países. As coisas levam tempo. O investimento na ciência começou, e muito bem, pela formação, na segunda metade dos anos 80. E tem dado frutos espectaculares do ponto de vista do número de doutorados, da produção científica no país e sobretudo no reconhecimento internacional de que Portugal produz gente que é tão boa como qualquer outra."

(António Coutinho, "um dos 100 cientistas mais citados em todo o mundo", in Jornal de Letras de 23 de Abril de 2008)

sábado, abril 26, 2008

Lluís Llach



L'estaca                                                          The stake
---------------------------------------------------------------------------
L'avi Siset em parlava(*) Grandpa Siset spoke with me
de bon matí al portal early in the morning, in the frontdoor
mentre el sol esperàvem while we were wainting for the sun
i els carros vèiem passar. and we saw passing the cars(*)
Siset que no veus l'estaca Siset, don't you see the stake
a on estem tots lligats? where we all are tied?
Si no podem desfer-la If we cannot undo it
mai no podrem caminar! we won't be able to walk!
Si estirem tots ella caurà If we all pull it, it will fall
i molt de temps no pot durar, and it can't last much time,
segur que tomba, tomba, tomba, surely it falls, falls, falls,
ben corcada deu ser ja. it must be worm-eatn by now.
Si jo l'estiro fort per aquí, If i pull hard towards here,
i tu l'estires fort per allà, and you pull it towards there,
segur que tomba, tomba, tomba, i'm sure it falls, falls, falls,
i ens podrem alliberar! and we'll be able to be free!
Però, Siset, ja fa molt temps ja! But it's been a long time, now!
Les mans se'm van escorxant! My hands are peeling!
I quan la for!a se me'n va And when my force goes
ella és més ampla i més gran. it's wider and bigger.
Ben cert sé que está podrida, Yes I know it's rotten,
però és que, Siset, pesa tant, but you know, Siset, it's so heavy,
que a cops la força m'oblida. sometimes force forgets me.
Torna'm a dir el teu cant: Say me again your singing:
Si estirem tots ella caurà If we all pull it, it will fall
i molt de temps no pot durar, and it can't last much time,
segur que tomba, tomba, tomba, surely it falls, falls, falls,
ben corcada deu ser ja. it must be worm-eatn by now.
Si jo l'estiro fort per aqu¡, If i pull hard towards here,
i tu l'estires fort per allà, and you pull it towards there,
segur que tomba, tomba, tomba, i'm sure it falls, falls, falls,
i ens podrem alliberar! and we'll be able to be free!
L'avi Siset ja no diu res Grandpa Siset doesn't speak anymore
mal vent que se'l va emportar bad wind who took him away
ell qui sap cap a quin indret he, who knows where,
i jo aqu¡ sota el portal and me, here under the door
i quan passen els nous vailets and when new boys pass by
estiro el coll per cantar i strech my neck to sing
el darrer cant d'en Siset Siset's last singing
lo darrer que em va ensenyar(*) the last thing he taught me
Si estirem tots ella caurà If we all pull it, it will fall
i molt de temps no pot durar, and it can't last much time,
segur que tomba, tomba, tomba, surely it falls, falls, falls,
ben corcada deu ser ja. it must be worm-eatn by now.
Si jo l'estiro fort per aqu¡, If i pull hard towards here,
i tu l'estires fort per allà, and you pull it towards there,
segur que tomba, tomba, tomba, i'm sure it falls, falls, falls,
i ens podrem alliberar! and we'll be able to be free!
---------------------------------------------------------------------------
NOTES:
- Siset is a familiar name for "Narc¡s" (narc¡s->narciset->ciset/siset)
- CAR here with the meaning of a horse car, not a four wheeled one ;)
- "lo darrer..." that LO is only used in certain places, it's 'illegal'
in standard Catalan.

Ainda em espanhol:


LA ESTACA
______________________________________
El abuelo Siset me hablaba
al amanecer, en el portal,
mientras esperábamos la salida del sol
y veíamos pasar los carros.

Siset: ¿No ves la estaca
a la que estamos todos atados?
Si no conseguimos liberarnos de ella
nunca podremos andar.

Si tiramos fuerte, la haremos caer.
Ya no puede durar mucho tiempo.
Seguro que cae, cae, cae,
pues debe estar ya bien podrida.

Si yo tiro fuerte por aquí
y tú tiras fuerte por allí,
seguro que cae, cae, cae,
y podremos liberarnos.

Pero, Siset, hace mucho tiempo ya,
las manos se me están desollando,
y en cuanto abandono un instante,
se hace más gruesa y más grande.

Ya sé que está podrida,
pero es que, Siset, pesa tanto,
que a veces me abandonan las fuerzas.
Repíteme tu canción.

El viejo Siset ya no dice nada;
se lo llevó un mal viento.
—él sabrá hacia dónde—,
mientras yo sigo bajo el portal.

Y cuando pasan los nuevos muchachos,
alzo la voz para cantar
el último canto de Siset
el último canto que él me enseñó.


(descobri Lluís Llach no 5dias.net, post de Nuno Ramos de Almeida)

sexta-feira, abril 25, 2008

Salgueiro Maia


Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse

Sophia de Mello Breyner Andresen



Ficaste na pureza inicial
do gesto que liberta e se desprende
havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende

Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem sua regra
Conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra

Por isso ficarás como quem vem
dar outro rosto ao rosto da cidade
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
Trazendo a espada e a flor da liberdade.

Manuel Alegre


Num tempo e num país tão despovoado de Homens e de Liberdade,
aqui fica o testemunho da minha memória do 25 de Abril de 1974 a este
incorruptível Capitão de Abril.

(biografia aqui)

quarta-feira, abril 16, 2008

"Não devemos esquecer nada" *

"O que se perdeu? Tudo, ou quase tudo. Perdeu-se a oportunidade de capitalizar a força demonstrada pelos professores, nos idos de Março. Perdeu-se o momento oportuno para reclamar a dignidade profissional longo tempo espezinhada por uma tutela sem escrúpulos. E perdeu-se sobretudo a força necessária para lutar por uma escola mais justa e de melhor qualidade."
(jcsmadureira in sabores do saber)

"(...)
A actuação política deste Governo e desta ministra produziu diplomas (estatuto de carreira, avaliação do desempenho, gestão das escolas e estatuto do aluno) que envergonham aquisições civilizacionais mínimas da nossa sociedade.
A rede propagandística que montaram procurou denegrir os professores por forma antes inimaginável.
Cortar, vergar, fechar foram desígnios que os obcecaram.
Reduziram salários e escravizaram com trabalho inútil.
Burocratizaram criminosamente.
Secaram o interior, fechando escolas aos milhares.
Manipularam estatísticas.
Abandalharam o ensino com a ânsia de diminuir o insucesso.
Chamaram profissional a uma espécie de ensino cuja missão é reter na escola, a qualquer preço, os jovens que a abandonavam precocemente.
Contrataram crianças para promover produtos inúteis.
Aliciaram pais com a mistificação da escola a tempo inteiro (que sociedade é esta em que os pais não têm tempo para estar com os filhos? Em que crianças passam 39 horas por semana encerradas numa escola e se aponta como progresso reproduzir o esquema no secundário, mas elevando a fasquia para as 50 horas?).
Foram desumanos com professores nas vascas da morte e usaram e deitaram fora milhares de professores doentes (depois de garantir no Parlamento que não o fariam).
Promoveram a maior iniquidade de que guardo recordação com o deplorável concurso de titulares.
Enganaram miseravelmente os jovens candidatos a professores e avacalharam as instituições de ensino superior com a prova de acesso à profissão.
Perseguiram.
Chamaram a polícia.
Incitaram e premiaram a bufaria.
Desrespeitaram impunemente a lei que eles próprios produziram.
Driblaram leis fundamentais do país.
Com grande despudor político, passaram sem mossa por sucessivas condenações em tribunais.
Fizeram da imposição norma e desrespeitaram continuadamente a negociação sindical.
Reduziram a metade os gastos com a Educação, por referência ao PIB.
No que era essencial, no que aumentaria a qualidade do ensino, não tocaram, a não ser, uma vez mais, para cortar e diminuir a exigência e castrar o que faz pensar e questionar.
(...)"
(Santana Castilho, Público, 16 de Abril)

(retirado do mesmo sabores do saber)

*Philip Roth

Que tristeza!

"Depois de aprovado, o entendimento será ratificado na próxima quinta-feira o que, segundo Mário Nogueira, afasta “o recurso à greve e a outras acções de protesto que colidam com o normal desenvolvimento das actividades lectivas até ao final do terceiro período de aulas”. " (Público - Última Hora)


Fiquei a saber assim que quem se "agachou" e foi "derrotada" foi a plataforma sindical.
A 4/4/08, em reunião com Conselhos Executivos, já o ME tinha dito que as escolas podiam fazer o que aparece como grande concessão neste "entendimento".

Mas o ME precisava da garantia de não haver mais manifestações. Já a tem.

Sou um ingénuo. E não é grande consolação saber que não sou só eu.

domingo, abril 13, 2008

O "recuo" da ministra

"Derrota total da Ministra da Educação." (Blasfémias - João Miranda)
"O Governo agachou-se." (Portugal dos Pequeninos - João Gonçalves)
"a plataforma sindical fala em «grande vitória dos professores». (Público)
E muitos outros...

Pessoas que vêem a vida como uma guerra e que, portanto, só são capazes de compreender as coisas em termos de vitórias ou de derrotas.
Está fora da sua compreensão coisas civilizadas como a admissão de erros, a compreensão do ponto de vista do adversário, a procura de um consenso que prejudique o menos possível os mais fracos (neste caso, os alunos).
É triste ver isto...
... e assustador.

Pessoalmente, até acho que não houve recuo nenhum naquilo que para o Governo é essencial (uma vez que não pagar aos professores o que eles têm direito já está resolvido): PASSAR TODOS OS ALUNOS A QUALQUER PREÇO!
É que nestes critérios (a tal ficha de auto-avaliação) está incluído avaliar o professor, não pelos resultados que os seus alunos obtiveram, mas pela diminuição de “negativas” a serem dadas, seja qual for o real aproveitamento dos alunos.
E sinto vergonha por todos esses hipócritas, portugueses como eu, que se aproveitam de qualquer pretexto para destilar o seu ódio sobre os professores, fugindo cobardemente a criticar o que é verdadeiramente revoltante: o estímulo à fraude legal (tornando a avaliação dos alunos numa farsa) numa área como a educação (que devia ser sagrada, pois que se trata de crianças e jovens e do seu futuro)!

domingo, abril 06, 2008

Blade Runner


"- Serás solicitado a fazer o que está errado, não importa para onde vás - disse o velho. - É a condição básica da vida, seres solicitado a violar a tua própria identidade. Em determinada altura, todas as criaturas que vivem devem actuar assim. É a sombra última, a derrota da criação; esta é a maldição em funcionamento, a maldição com que se alimenta a vida. Em toda a parte do universo."


(Philip K. Dick, Blade Runner, Perigo Iminente, p.132, PEA)

domingo, março 30, 2008

O objectivo...

Todos conhecemos, das séries policiais, a técnica do





"polícia-mau"






e do





"polícia-bom".



O objectivo é sempre o de arrancar algo a alguém...

sexta-feira, março 21, 2008

A autoridade dos professores

A questão parece-me relativamente simples.

A autoridade de um professor não pode assentar no seu estado de espírito, no seu talento ou em qualquer outra idiossincrasia pessoal.
Por duas razões: 1ª, porque com a heterogeneidade actual dos alunos, só um super-professor (que não existe) é que consegue ter autoridade sobre todos eles, sem excepção; 2ª, porque a autoridade não pode estar dependente dos caprichos de cada um, senão corre-se o risco elevadíssimo de corrupção do acto educativo (a autoridade assenta sempre numa negociação; se esta fica ao critério pessoal de cada um...).

A verdade é que a autoridade tem que emanar da instituição que o professor serve e representa. Só essa autoridade, igual para todos, é educativa, justa e livre de abusos. Ora, este governo, pelo desprezo que tem mostrado pelos professores, por ter posto a sociedade contra eles e por ter dificultado até ao absurdo o processo de castigar os alunos, minou completamente essa autoridade institucional. E o professor ficou sem poder nenhum que o sustente.

Para mim, o horror (não estou a exagerar na palavra) da situação nem são as agressões de que os professores (aliás, deve-se dizer "as professoras", pois são elas a maioria e as mais vulneráveis à violência neste país de cobardes) são vítimas.

Tendo esvaziado a escola e os professores de autoridade, aqueles deixaram de poder proteger os alunos mais fracos, os alunos que querem estudar, os alunos que são vítimas sistemáticas de colegas violentos. Esta mole imensa, cada vez maior, sem culpa nenhuma, vai aprendendo que os adultos não prestam para nada, que os colegas são perigosos e que a única coisa que ainda resulta é fazer justiça pelas próprias mãos. É isto que me causa horror.

quinta-feira, março 20, 2008

Sinais

Desde sempre (lecciono há 23 anos) que a visão da escola vazia me mergulhava na tristeza.
Não agora.
Pergunto-me porquê.
Não, não vou culpar a verdadeira responsável.
Vou só constatar um facto.
A rápida extinção, nestes três anos, da amabilidade nos alunos, quer entre eles, quer em relação aos professores.
À tristeza por todo aquele vazio, substituiu-se o alívio.
Que é uma outra forma de tristeza, no fim de contas.

quarta-feira, março 19, 2008

Arthur C Clarke (1917-2008)


O que eu sonhei na adolescência e na juventude, muito graças a este senhor!
Tenho os livros dele mesmo à frente da minha secretária.
Vou buscá-los (da velhinha Colecção Argonauta, na sua maioria) e verto aqui títulos, belos nomes, que encantaram anos difíceis:

A Idade de Ouro
Areias de Marte
Náufragos da Lua
S.O.S. Lua
A Sexta Parte do Mundo
Terra Imperial
Rendez-Vous com Rama
Os Dias Futuros
Ilhas no Céu

E outros: Anti-Crepúsculo, Expedição à Terra, Canções da Terra Distante, …
Sem esquecer “2001, A Space Odyssey”.

Também digo: Obrigado, Arthur C. Clarke!

sábado, março 15, 2008

Escolas, privadas sim, e... sobre o optimismo

(os bold são da minha responsabilidade)

"Uma investigação recente realizada pela psicóloga e autora do livro "Educar para o optimismo", Helena Marujo, envolvendo cerca de 2200 crianças e jovens portugueses de ambos os sexos, entre os oito e os dezoito anos, em escolas particulares da região de Lisboa, chegou a resultados preocupantes: os jovens portugueses apresentam taxas depressivas mais elevadas do que os jovens norte-americanos e espanhóis."

"O facto de encontrar escolas depressogénias, em que os alunos ficavam deprimidos pouco tempo depois de frequentarem essas escolas, foi outro factor que despertou a atenção desta especialista em comportamento."

"Helena Marujo observou ainda que grande parte destes jovens tinha um discurso muito desesperançado e pessimista relativamente ao futuro, fruto daquilo a que chamou uma desumanizadora pressão para o sucesso, em que os alunos sentem que o afecto que recebem é condicionado pelo sucesso escolar."

"Helena Marujo constatou, por outro lado, que a ideia da morte ou suicídio tinha já passado pela cabeça de muitos jovens."

"Também o simples contacto com professores com um discurso profundamente desanimado e pessimista, e o facto de muitos dos seus pacientes se mostrarem incapazes de enumerar aspectos positivos dos seus familiares levou Helena Marujo a interessar-se cada vez mais pelo tema."

(...)

"“Um dos principais objectivos na formação para o optimismo, tem sido levar as pessoas a fazerem um processo de auto-educação, lembrando-lhes que todos somos modelos para os outros. Ou seja, temos a obrigação moral de construir uma cultura optimista, já que se provaram os seus benefícios em termos de saúde física e mental e, ainda, de maior felicidade", explica Helena Marujo."

(...)

"O que é optimismo? Uma vez aqui chegados, importa esclarecer o que é o optimismo. Segundo a especialista em questão, é uma característica individual que, embora possa ter algumas influências genéticas, pode ser apreendida e implica sempre a capacidade de ter expectativas positivas acerca do futuro e acreditar que o que está para vir é bom. Isto para além da capacidade de ver o melhor da vida. Mesmo nas situações mais problemáticas, desafiadoras e, até, dramáticas, o optimismo traduz-se na capacidade de retirar alguma aprendizagem e algum ponto positivo. (...)"

O livro é "Educar para o Optimismo", Helena Marujo et al, Ed. Presença.

O resto do artigo está aqui.

quinta-feira, março 13, 2008

Avaliação dos professores

O politicamente correcto é dizer:
"Eu não sou contra a avaliação, sou é contra esta avaliação."

Pois bem. Eu sou contra a avaliação dos professores para progredir na carreira.
Não só por saber que em muitos países desenvolvidos ela já foi abandonada e, na maior parte dos que a têm, ela apresenta um carácter formativo e tem funções de feed-back apenas.
Mas porque sei que a competição entre professores nunca irá beneficiar os alunos, se estivermos a falar de educação.
Se acharmos que a função dos professores é a de instrução, então tudo bem, nada a opor a esta ou outra avaliação (desde que não obriguem os professores a fazer uma infinidade de coisas que nada têm a ver com instrução e que os impede de a ela se dedicarem).
Explico melhor: para um filho, a melhor educação é a que é ministrada por pais em competição um com o outro? Ou é melhor quando os pais colaboram?

O que defendo, então?
Uma avaliação formativa para os professores.
E uma avaliação da escola, esta sim, com consequências, isto é, uma avaliação com estabelecimento prévio de objectivos: se não forem atingidos e tal for imputável à escola, a escola tem uma oportunidade de resolver os problemas interna e autonomamente. Se não conseguir, faz-se uma intervenção externa, mesmo ao nível da gestão.

domingo, março 09, 2008

Que lugar para a esperança?




Pacheco Pereira:

Em democracia, quando se vai para a "rua", local nobre e legítimo do protesto, tem que se saber que não se pode continuar nela sob pena de então as coisas estarem muito mal para a democracia. Duvido que nesta luta dos professores exista um plano B. O plano A resultou, está à vista hoje. Podia haver um plano B para 2009, no voto, mas duvido que quando lá se chegar exista uma alternativa no domínio político para o materializar. Por isso temo que disto tudo resulte pouco mais do que desespero apático, ou asneira agressiva. Vamos ver.

Infelizmente, parece-me que Pacheco Pereira tem toda a razão.
Num conflito só existe um plano B se houver espaço para ele.
E já se tornou mais que evidente que, neste conflito entre professores e Governo, esse espaço não existe.
Num conflito é o mais forte que estabelece a maior parte das regras do jogo.
Os professores vieram para a rua porque aqui não há regras nenhumas; aliás, a bem dizer, não há sequer jogo.
Esta marcha foi assim, sem dúvida, uma iniciativa nascida do desespero.
Desespero é o único jogo que este Governo permite aos professores jogarem.
Por isso, planos B?...

Termino, recordando as palavras de Amos Oz, em "Contra o fanatismo":

"Digo que a semente do fanatismo brota ao adoptar-se uma atitude de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos." (p. 17)

"No meu mundo, a expressão "chegar a um acordo, a um compromisso" é sinónimo de vida. E onde há vida há compromissos estabelecidos. O contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é integridade, o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é idealismo, o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é determinação. O contrário de comprometer-me a chegar a um acordo é fanatismo e morte." (p. 87)

(a fotografia foi retirada da versão internet do Público)


A Marcha dos 100 000

Um centésimo da população portuguesa naquele lugar!
E eu tive colegas ao meu lado que estavam grávidas (a Adelaide); que abdicaram do seu dia de aniversário (a Maria Manuel); que ali estiveram ainda atormentadas com graves doenças (a Luísa e a Júlia); que vieram com longuíssimas horas de viagem; muitas, muitas mulheres que deixaram os seus homens em casa! E que nunca tinham participado numa manifestação!
Alguém acredita que isto não significa, não vai significar nada?
Pelo menos, uma coisa: amanhã, muitos serão os professores e as professoras que vão entrar nas escolas de cabeça levantada, com um novo brilho de orgulho nos olhos a matar os meses e meses de humilhações...

sábado, março 08, 2008

Marcha dos professores

Vou estar lá.

Apesar de já ser titular (e não apenas professor, como a maior parte dos meus colegas).
Apesar de já ter vários cargos (e não estar impedido de os ter como a esmagadora maioria dos meus colegas).
Apesar de já ser do quadro de nomeação definitiva (ao contrário de tantos colegas).
Apesar de ainda ter saúde (ao contrário de alguns colegas que, por estarem doentes, são maltratados pelos alunos, pelos pais e, pasme-se!, pela tutela).
Apesar de ser professor de uma disciplina fácil (e que o Governo torna ainda mais fácil com medidas destas).
E, last but not the least, apesar de detestar manifestações/multidões.

Porque a acção deste Governo levou a que a irracionalidade na Educação ultrapassasse limites absolutamente insuportáveis.

Alguns Mitos da Avaliação de Professores

(retirado de Kenneth D. Peterson, Ph.D., Portland State University, Portland OR)

Myth 1: The central purpose of teacher evaluation is to improve teachers and teaching. The truth is that there is scarce research to suggest that evaluation causes teacher growth. Rather, teachers will improve if you give them enough TIME to work on good ideas: uninterrupted time with students, time to plan and implement what is already known, and sufficient discretionary time to be full human beings. There are other very good reasons to evaluate: to document current good practice, reassure teachers of a needed and effective job, reassure audiences, identify good teaching practices for emulation, and prevent bad evaluation practices.


Myth 2: Better teacher evaluation is just a better rating instrument or framework of teacher behaviors. The truth is that educators do not agree on what should be included in any single catalog of teacher performances or competencies, none could encompass all of what the open-ended nature of teaching should have, teachers are effective using different sets of small numbers of behaviors, and teachers work in varied contexts which call for different competency sets. Comprehensive frameworks, descriptions, systems analysis, and lists of duties (e.g., Danielson, 1996; Heath & Nelson, 1974; Scriven, 1988) help build understanding of good teaching, but they don't cause good evaluation.

Myth 3: Excellent teaching is accomplished by strong performance of 22 (or 27 or 60) components of teaching. Rather, a good teacher performs three or four components extremely well, adequately performs some others, and (to be honest) poorly or spottily performs many other things that a teacher is "supposed" to do. Doing a few things well at the moment carries the entire performances of teaching and learning; the other possible performances simply don't matter at the given time in the real human world of a classroom. It is a misleading strategy to try to assess every possible component, duty, competency, or element of a teacher performance at a point in time in order to understand the overall quality of that teaching.


Myth 4: Specific a priori goals (unique to individual or from a general framework) are needed to evaluate a teacher. Rather, good teaching can be documented after the teaching has been done by highlighting the actual specific outcomes, performances, or preparations that played a role in that specific teacher performance.


Myth 5: A uniform system of teacher evaluation is essential: all teachers should be evaluated the same way. The reality is that teachers are good for different constellations of reasons. They work in quite different settings, with different kinds of demands and criteria for quality. Also, we just cannot get all the information we might want for each instance of teacher evaluation. Fairness demands that all teachers have an equal opportunity to document their quality in the ways most appropriate to them.


Myth 6: Pupil achievement data cannot be used in teacher evaluation, or they can be used for all teachers. Rather, we can get good pupil achievement data for some but not all teachers in a district; and the teacher evaluation system should reflect the state-of-the-art of data availability.


Myth 7: Teacher quality can be objectively measured and known by using a sufficiently accurate checklist and rating scheme, or by comparing pupil achievement test scores. Rather, all evaluation is subjective. However, there is good subjectivity and bad subjectivity. Good subjectivity is (a) based on the best objective evidence available, (b) controlled for individual bias, (c) involves the interested audiences, and (d) employs some public logic.

(...)

(o que está a negrito são destaques da minha responsabilidade)

segunda-feira, março 03, 2008

Maria Gabriela Llansol 1931-2008

"(...) Nada mais doce do que
um lugar solitário, liberto do medo,
ou quando o medo o liberta."



e


"O mundo existe e o Vergílio morreu, mas
mais uma palavra me pede a escrita."


Onde, agora?


(de "Inquérito Às Quatro Confidências")


Adenda:
Uma sensação aguda de perda. Não foi logo que soube de onde vinha essa dor.
É que Maria Gabriela Llansol foi em mim uma catalisadora de um segundo nascimento para a literatura, com a trilogia da Geografia de Rebeldes. Os nomes ainda invocam em mim espaços abertos de luz e de nitidez: O Livro das Comunidades... A Restante Vida... Na Casa de Julho e Agosto...
Depois, a intensa, incondicional e comovente amizade por Vergílio Ferreira, sobre quem eu não tenho palavras para dar uma ideia do que ele sempre representou para mim.
Sim, que mágoa súbita e triste, ao saber da sua morte.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

A verdade

"Os professores não são potenciais falsificadores de notas dos alunos, como a oposição crê." (José Sócrates)

É verdade: José Sócrates sabe por experiência própria, Portugal inteiro sabe, que os professores efectivamente falsificam notas de alunos... ou, para sermos justos, pelo menos as notas de um aluno.

A avaliação

sábado, fevereiro 09, 2008

To be free (II)

Liberdade é não ter nada a perder.
Por exemplo: a esperança de receber.
Ou ainda: a fé na bondade do ser humano.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Professores (II)

Por outro lado...

Aquele que não luta pelos seu direitos, não merece tê-los.
(Rui Barbosa)

Não é sempre verdade.
Mas, para aqueles que podem lutar, isto é uma chicotada em pleno rosto.

domingo, fevereiro 03, 2008

Professores

Com a legislação que saiu sobre o Estatuto do Aluno, sobre a Avaliação de desempenho dos docentes

(sim, Aluno está lá com letra maiúscula e docente com minúscula)

e com a que está para sair sobre a Gestão os Estabelecimentos Públicos da Educação,

os professores:

- ficam praticamente impedidos de proteger os miúdos bem formados da selvajaria dos outros (selvajaria é um termo que aqui não é usado, de todo, com intenção pejorativa);

- e já não vão mais conseguir proteger o país da imbecilidade dos políticos.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

To be free - Mike Oldfield




My wish would be...

To be free
To be wild
And to be
Just like a child
And if I get lost
I really don't mind
Cos I'm me
Doing just fine

domingo, janeiro 06, 2008

Notice of Seasonal Greetings — From Andrew Rogers Lawyers ("The Wishor") — to You ("The Wishee").

Please accept without obligation, implied or implicit, our best wishes for an environmentally conscious, socially responsible, politically correct, low stress, non-addictive, gender neutral, celebration of the winter solstice holiday, practiced within the most enjoyable traditions of the religious persuasion of your choice, or secular practices of your choice, with respect for the religious/secular persuasions and/or traditions of others, or their choice not to practice religious or secular traditions at all.

We wish You a financially successful, personally fulfilling and medically uncomplicated recognition of the onset of the generally accepted calendar year 2008, but with due respect for the calendars of choice of other cultures or sects, and having regard to the race, creed, colour, age, physical ability, religious faith, choice of computer platform or sexual preference of The Wishee.

By accepting this greeting you are bound by these terms that:

  • This greeting is subject to further clarification or withdrawal.
  • This greeting is further transferable provided that no alteration shall be made to the original greeting and that the proprietary rights of The Wishor are acknowledged.
  • This greeting implies no promise by The Wishor to actually implement any of the wishes.
  • This greeting may not be enforceable in certain jurisdictions and/or the restrictions herein may not be binding upon certain Wishees in certain jurisdictions and is revocable at the sole discretion of The Wishor.
  • This greeting is warranted to perform as reasonably may be expected within the usual application of good tidings, for a period of one year, or until the issuance of a subsequent holiday greeting, whichever comes first.

The Wishor warrants this greeting only for the limited replacement of this wish, or issuance of a new wish, at the sole discretion of The Wishor. Any references in this greeting to "the Lord", "Father Christmas", "Our Saviour", "Rudolf the Red-Nosed Reindeer", or any other festive figures, whether actual or fictitious, dead or alive, shall not imply any endorsement by or from them in respect of this greeting, and all proprietary rights in any third party names and images are hereby acknowledged.

Andrew Rogers Lawyers

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Que preocupações ocupam aquela cabeça?

"P: Quanto é que o PSD vai pagar à Cunha Vaz (agência de comunicação, esclareço eu)?
R: Pouco (negrito meu): 25 ou 30 mil euros por mês" (Luís Filipe Meneses, Expresso de 22/12/2007)

Pouco? Será que não percebe o insulto que isto representa para os 2 milhões de pobres só no nosso país? Ou para todos aqueles que nem em 5 anos recebem isto?

sábado, dezembro 01, 2007

do mundo original

"Não, não se vê que o grande problema possa ser outro,
um dia e sempre,
senão o da conquista final de um mundo de evidente alegria,
da aparição da plenitude.
O resto é logro,
ou renúncia,
ou situação provisória."

Vergílio Ferreira

D & D (Derrota e Dignidade)

Admiro acima de tudo as pessoas «de sucesso» que mantêm a sua integridade moral (são pouquíssimas). (Pedro Mexia)

Sim, mas admiro ainda mais

(eu sei, sou suspeito porque não pertenço de todo ao grupo dos "de sucesso")

as pessoas que fizeram todas as escolhas erradas

(claro que nunca há escolhas totalmente certas; mas aqui refiro-me às realmente erradas pelas consequências desastrosas que delas resultaram)

e que, mesmo assim, defendem para si a quase impossível dignidade, contra o fracasso e contra o cansaço.

O número destas é ainda mais pequeno que o daquelas que falava o Pedro Mexia.

domingo, novembro 25, 2007

Efeitos Secundários

"Durante o uso de CODIPRONT podem manifestar-se os seguintes efeitos secundários:
(...) uma sensação exagerada de bem estar (euforia). (...)"

E voltei ao blog naqueles seis dias.

O efeito já passou.

domingo, novembro 18, 2007

Espanta a falta de inteligência dos que aderem não a um ideal, não a um sonho, não a uma transcendência, mas sim a um número. E a uma política autoritária que o defende.
E quando vemos essa falta em pessoas que, noutros domínios, já deram provas de apurada inteligência?

(Como puderam intelectuais insignes aderir ao nazismo?)

É que não se trata de falta de inteligência.
O que falta a essas pessoas é um modesto sentimento de justiça, de autêntica e verdadeira justiça.

(Sinal dessa falta é o ódio, cobarde e enviesado, que dirigem ao que lhes aparece como privilégio de todas as classes profissionais, com excepção daquela à qual pertencem)

sexta-feira, novembro 16, 2007

Os olhos, lagos líquidos,
Essa imagem tão gasta
Mas agora, agora,
Tão depurada
Até à noite de que nasceu

quinta-feira, novembro 15, 2007

Umas vezes é a solidão, outras é o silêncio.
Defendem-me de tudo o que me rodeia e que vem com o sinal da ameaça e da opressão.
Às vezes, aí, consigo encontrar-me com o meu sentir verdadeiro.
Com a clareza inicial do que eu sou. Ou do que gostaria de ser.