A vida. Tão pouco e tão tanto. (...) E todavia eu sei que "isto" nasceu para o silêncio sem fim... (Vergílio Ferreira)
quarta-feira, outubro 22, 2008
segunda-feira, outubro 20, 2008
A violência dos homens
"Crimes contra mulheres cada vez mais violentos.
(...)
Este ano houve 32 homicídios e 35 tentativas falhadas (...) mais onze casos do que os verificados ao longo de todo o ano de 2007."
Também sabemos que "Um em cada quatro jovens é vítima de violência no namoro".
E sobre as crianças então o número atinge valores inimagináveis. E não nos esqueçamos dos idosos.
Eis um retrato verdadeiramente assustador do Portugal de hoje, um retrato do qual me envergonho em absoluto. No qual a minha pena pelas vítimas sobreleva tudo. E a impotência.
Só me pergunto: se não for por mais nada (compaixão, por exemplo), onde estão a honra e a dignidade pessoal que levam a que um homem não se aproveite da sua força para violentar os mais fracos? Eu não percebo isto.
(...)
Este ano houve 32 homicídios e 35 tentativas falhadas (...) mais onze casos do que os verificados ao longo de todo o ano de 2007."
Também sabemos que "Um em cada quatro jovens é vítima de violência no namoro".
E sobre as crianças então o número atinge valores inimagináveis. E não nos esqueçamos dos idosos.
Eis um retrato verdadeiramente assustador do Portugal de hoje, um retrato do qual me envergonho em absoluto. No qual a minha pena pelas vítimas sobreleva tudo. E a impotência.
Só me pergunto: se não for por mais nada (compaixão, por exemplo), onde estão a honra e a dignidade pessoal que levam a que um homem não se aproveite da sua força para violentar os mais fracos? Eu não percebo isto.
domingo, outubro 12, 2008
Anedota?
He said to her... Why are married women heavier than single women?
She said to him... Single women come home, see what's in the fridge and go to bed. Married women come home, see what's in bed and go to the fridge.
Isto é suposto ser uma piada. Ainda por cima tirei-a de um daqueles sites de pensamento positivo.
Mas acho-a tão fria e tão triste que aflige.
She said to him... Single women come home, see what's in the fridge and go to bed. Married women come home, see what's in bed and go to the fridge.
Isto é suposto ser uma piada. Ainda por cima tirei-a de um daqueles sites de pensamento positivo.
Mas acho-a tão fria e tão triste que aflige.
Admirável Mundo Novo
Imaginemos uma pessoa, QUALQUER PESSOA, que às 8 e pouco da manhã tem de estar sentada numa desconfortável cadeira de pau durante hora e meia, ao frio ou ao calor excessivos, sem poder falar nem se mexer à vontade.
Depois levanta-se durante 20 minutos, para voltar a estar sentada mais hora e meia nas mesmas condições anteriores.
Interrupção de 10 minutos, e volta ao mesmo.
Entretanto é uma e tal da tarde e tem hora e meia para, cheia de fome, estar numa fila a fim de comer o seu almoço (às vezes a correr... e sempre na mesma cadeira de pau).
Às 3 e pouco volta a ter de sentar por mais hora e meia nas mesmas condições da manhã.
Os alunos do turno da tarde têm isto ao contrário, mas até às 6 e meia ou 7 da tarde.
Pergunto: quem aguenta?
Posso responder por mim: eu não aguento.
No entanto, é isto a que obrigamos diariamente miúdos e miúdas de pouco mais de 10 anos, exigindo ao mesmo tempo que estejam sempre calmos, atentos e que trabalhem empenhadamente!
Mas ninguém vê que isto é um monstruoso absurdo!?
Alguém consegue manter-se calmo horas seguidas numa cadeira de pau, dia após dia, durante uma semana inteira? Obviamente que a resposta a esta pergunta é não.
Então qual é a solução que a nossa sociedade está a encontrar para este absurdo?
Não, não é diminuir estas horas intermináveis em condições desumanas.
É drogá-los.
Sim, DROGÁ-LOS!
De ano para ano são cada vez mais alunos (a maioria são rapazes) a serem medicados com Ritalina (alguns efeitos secundários: perda de apetite, irritabilidade, depressão, dificuldade em dormir, dores de cabeça, ou mesmo morte), a fim de poderem estar parados e calmos nas salas de aula!
Porque "sofrem de hiperactividade", expressão aberrante da nossa modernidade! Como se naquelas condições fosse possível ser-se outra coisa saudável que não hiperactivo!
Já se chama a esta geração a Geração Ritalina.
É esta a parte mais vergonhosa da herança que deixamos para o futuro: drogar crianças...
Depois levanta-se durante 20 minutos, para voltar a estar sentada mais hora e meia nas mesmas condições anteriores.
Interrupção de 10 minutos, e volta ao mesmo.
Entretanto é uma e tal da tarde e tem hora e meia para, cheia de fome, estar numa fila a fim de comer o seu almoço (às vezes a correr... e sempre na mesma cadeira de pau).
Às 3 e pouco volta a ter de sentar por mais hora e meia nas mesmas condições da manhã.
Os alunos do turno da tarde têm isto ao contrário, mas até às 6 e meia ou 7 da tarde.
Pergunto: quem aguenta?
Posso responder por mim: eu não aguento.
No entanto, é isto a que obrigamos diariamente miúdos e miúdas de pouco mais de 10 anos, exigindo ao mesmo tempo que estejam sempre calmos, atentos e que trabalhem empenhadamente!
Mas ninguém vê que isto é um monstruoso absurdo!?
Alguém consegue manter-se calmo horas seguidas numa cadeira de pau, dia após dia, durante uma semana inteira? Obviamente que a resposta a esta pergunta é não.
Então qual é a solução que a nossa sociedade está a encontrar para este absurdo?
Não, não é diminuir estas horas intermináveis em condições desumanas.
É drogá-los.
Sim, DROGÁ-LOS!
De ano para ano são cada vez mais alunos (a maioria são rapazes) a serem medicados com Ritalina (alguns efeitos secundários: perda de apetite, irritabilidade, depressão, dificuldade em dormir, dores de cabeça, ou mesmo morte), a fim de poderem estar parados e calmos nas salas de aula!
Porque "sofrem de hiperactividade", expressão aberrante da nossa modernidade! Como se naquelas condições fosse possível ser-se outra coisa saudável que não hiperactivo!
Já se chama a esta geração a Geração Ritalina.
É esta a parte mais vergonhosa da herança que deixamos para o futuro: drogar crianças...
quarta-feira, outubro 08, 2008
Um sorriso gelado
Hoje, nas minhas aulas, alunos gritaram, disseram palavrões, intimidaram e bateram noutros alunos com um sorriso nos lábios ou não, roubaram (canetas, lápis e cadeados dos armários da sala) e desobedeceram-me (verbalizando essa desobediência, olhos nos olhos).
Quando duas pessoas se encontram, mesmo quando não se conhecem, surgem pontes através das expressões faciais e corporais. Não consigo encontrar essas pontes em muitos destes adolescentes. Uns poucos inspiram-me mesmo um profundo terror.
Ontem estava no refeitório sentado a comer com o I., um rapaz maior que eu mas deficiente, que veio da Geórgia, e sinto-o a encostar-se a mim a tremer. À frente, um pouco descaído para a direita tinha-se sentado o D. (aluno famoso na escola pelos piores motivos) que o olhava friamente. "Tu não me vais fazer mal, pois não? Não me vais fazer mal?", dizia o I. com o pânico na voz. Olhei para o D. que se limitava a fixar o I. com um sorriso gelado. E eu, professor, sim, senti um medo pavoroso.
Para não perder a esperança e todo o sentido do que faço, procuro encarar estes jovens não pelo que eles são mas, nos casos mais favoráveis, pelo que eles poderão vir a ser (no que, de ano para ano, tenho apesar de tudo cada vez mais dificuldade, por já pouco conseguir ver). Nos outros casos procuro vê-los como eles quereriam ter sido se lhes tivesse sido dada uma oportunidade para isso: com professores a poderem ser honestos para com eles, isto é, a fazerem-lhes ver que eles podiam conseguir muito mais e muito melhor... em vez disso mostra-se sempre o quão baixas são as expectativas em relação a eles ao não lhes ser permitido aguentar com as consequências do que fazem.
Não consigo imaginar como se sentirá alguém sabendo que aquilo que faz vale tão pouco que, faça o que fizer, nunca terá consequências significativas, apenas receberá uma inútil compreensão que disfarça o mais profundo dos desprezos pela sua pessoa.
Quando duas pessoas se encontram, mesmo quando não se conhecem, surgem pontes através das expressões faciais e corporais. Não consigo encontrar essas pontes em muitos destes adolescentes. Uns poucos inspiram-me mesmo um profundo terror.
Ontem estava no refeitório sentado a comer com o I., um rapaz maior que eu mas deficiente, que veio da Geórgia, e sinto-o a encostar-se a mim a tremer. À frente, um pouco descaído para a direita tinha-se sentado o D. (aluno famoso na escola pelos piores motivos) que o olhava friamente. "Tu não me vais fazer mal, pois não? Não me vais fazer mal?", dizia o I. com o pânico na voz. Olhei para o D. que se limitava a fixar o I. com um sorriso gelado. E eu, professor, sim, senti um medo pavoroso.
Para não perder a esperança e todo o sentido do que faço, procuro encarar estes jovens não pelo que eles são mas, nos casos mais favoráveis, pelo que eles poderão vir a ser (no que, de ano para ano, tenho apesar de tudo cada vez mais dificuldade, por já pouco conseguir ver). Nos outros casos procuro vê-los como eles quereriam ter sido se lhes tivesse sido dada uma oportunidade para isso: com professores a poderem ser honestos para com eles, isto é, a fazerem-lhes ver que eles podiam conseguir muito mais e muito melhor... em vez disso mostra-se sempre o quão baixas são as expectativas em relação a eles ao não lhes ser permitido aguentar com as consequências do que fazem.
Não consigo imaginar como se sentirá alguém sabendo que aquilo que faz vale tão pouco que, faça o que fizer, nunca terá consequências significativas, apenas receberá uma inútil compreensão que disfarça o mais profundo dos desprezos pela sua pessoa.
segunda-feira, outubro 06, 2008
Amnistia Internacional

Porque é que contribuo para esta organização?
Porque, ao contrário da maioria das outras organizações, ela apoia e combate, não por vítimas inocentes (que também precisam de defesa, não o nego), mas por lutadores que assumiram o seu destino com um máximo de responsabilidade e que tiveram a ousadia de dizer não à injustiça e à prepotência assassinas.
domingo, outubro 05, 2008
Avaliação de professores
Nunca me canso de o dizer: sou contra a avaliação de professores.
Sou há muito tempo por uma avaliação das escolas (a funcionar com uma verdadeira autonomia) a partir de contratos feitos entre escola e hierarquia, mas não dos professores tomados individualmente (a menos que haja um desempenho claramente negativo e prejudicial para a escola, caso em que esta solicita uma avaliação externa para esse professor).
Conheci um gestor que dizia: "Se eu sou avaliado, os professores também têm de o ser." Dizia também que a pressão que o seu superior exercia sobre ele levava a que, cada vez menos, ele e os outros trabalhadores levassem em conta o bem estar dos clientes. Superior esse que o ameaçava sempre com uma avaliação negativa se ele não se deixasse de escrúpulos de consciência.
Perguntei-lhe se era isso que ele desejava para os seus filhos ao defender a mesma avaliação para os professores.
Aproveitei e ocorreu-me também perguntar-lhe se ele achava que era melhor para a criança que os pais colaborassem um com o outro, ou se era melhor para ela que os pais estivessem em competição entre si. Tratando-se de educação, tem lógica que com os professores seja diferente?
Ainda não começou em força este processo de avaliação e já noto duas perdas para uma boa educação dos nossos alunos.
Por um lado acabou a partilha. Não, não falo de partilhar materiais e saberes (sim, essa também vai desaparecer), mas de partilhar dúvidas, erros e ignorâncias. Todos sabem que isso se tornou num terreno minado.
Mas o pior de tudo é que, pelas conversas entre professores já deu para perceber que a antiga preocupação com as crianças e com os jovens foi totalmente substituída pela preocupação com a carreira e com a imensidade de coisas que a podem pôr em risco. Por outras palavras, os professores estão a ficar-se nas tintas para os alunos.
Continuarei a observar o alastramento do desastre.
Sou há muito tempo por uma avaliação das escolas (a funcionar com uma verdadeira autonomia) a partir de contratos feitos entre escola e hierarquia, mas não dos professores tomados individualmente (a menos que haja um desempenho claramente negativo e prejudicial para a escola, caso em que esta solicita uma avaliação externa para esse professor).
Conheci um gestor que dizia: "Se eu sou avaliado, os professores também têm de o ser." Dizia também que a pressão que o seu superior exercia sobre ele levava a que, cada vez menos, ele e os outros trabalhadores levassem em conta o bem estar dos clientes. Superior esse que o ameaçava sempre com uma avaliação negativa se ele não se deixasse de escrúpulos de consciência.
Perguntei-lhe se era isso que ele desejava para os seus filhos ao defender a mesma avaliação para os professores.
Aproveitei e ocorreu-me também perguntar-lhe se ele achava que era melhor para a criança que os pais colaborassem um com o outro, ou se era melhor para ela que os pais estivessem em competição entre si. Tratando-se de educação, tem lógica que com os professores seja diferente?
Ainda não começou em força este processo de avaliação e já noto duas perdas para uma boa educação dos nossos alunos.
Por um lado acabou a partilha. Não, não falo de partilhar materiais e saberes (sim, essa também vai desaparecer), mas de partilhar dúvidas, erros e ignorâncias. Todos sabem que isso se tornou num terreno minado.
Mas o pior de tudo é que, pelas conversas entre professores já deu para perceber que a antiga preocupação com as crianças e com os jovens foi totalmente substituída pela preocupação com a carreira e com a imensidade de coisas que a podem pôr em risco. Por outras palavras, os professores estão a ficar-se nas tintas para os alunos.
Continuarei a observar o alastramento do desastre.
sábado, outubro 04, 2008
Uma semana difícil
A minha direcção de turma tem 10 alunos que vieram do 6º ano com 4's e 5's; 10 com 3’s; e 7 alunos desobedientes, malcriados e agressivos que não deixam os professores dar as suas aulas nem deixam os outros aprender.
Os professores estão desvairados, os 20 bem comportados estão desvairados e os pais de todos eles estão desvairados.
Eu penso assim:
Os meus colegas dos anos anteriores e da outra escola (um dos 7 foi expulso e veio cá calhar) tentaram o habitual: confronto verbal, faltas disciplinares, queixas aos pais (por escrito, por telefone e pessoalmente), suspensões e, num caso, até a expulsão. Sem sucesso.
Eu não sou melhor que eles nem tenho mais sorte seguramente. Portanto, parece-me inútil continuar a insistir nas mesmas estratégias que já revelaram ser um fracasso.
Então experimente-se algo de diferente: conversar, ouvir muito, fazer pequenos contratos, ter paciência e compreensão com as vezes em que eles não vão conseguir cumprir, evitar as queixas aos respectivos pais (a maior parte deles, se não todos, bate-lhes, que eu conheço bem os sinais).
Tentei explicar isto aos meus colegas. Não compreenderam, nem aceitaram. São veteranos com grande peso na escola e peso político fora dela. E foram à direcção queixar-se de mim, acusando-me de negligente. Expliquei-me. Acho que a direcção percebeu. Mas disseram-me: se continuas nessa via, como tens os professores contra ti, os teus esforços vão ser sabotados; ou então fazes simplesmente o que eles querem (subentendo-se: nós também).
Se não fosse este sistema de avaliação de professores, eu ia à luta,como já fui no passado... bom, e a verdade é que fui posto na “prateleira”. Mas agora podem fazer-me muito mais mal. Portanto, não tive alternativa.
Resultado?
Umas tantas tareias em casa, primeiro. Depois, o ambiente nas aulas (incluindo nas de Educação Física), na sala de estudo (para onde vão quando são mandados sair da aula) e no pátio, passou de mau a infernal... e eu perdi o pouco controle e respeito que estava a começar conseguir ganhar sobre aqueles alunos.
Os professores estão desvairados, os 20 bem comportados estão desvairados e os pais de todos eles estão desvairados.
Eu penso assim:
Os meus colegas dos anos anteriores e da outra escola (um dos 7 foi expulso e veio cá calhar) tentaram o habitual: confronto verbal, faltas disciplinares, queixas aos pais (por escrito, por telefone e pessoalmente), suspensões e, num caso, até a expulsão. Sem sucesso.
Eu não sou melhor que eles nem tenho mais sorte seguramente. Portanto, parece-me inútil continuar a insistir nas mesmas estratégias que já revelaram ser um fracasso.
Então experimente-se algo de diferente: conversar, ouvir muito, fazer pequenos contratos, ter paciência e compreensão com as vezes em que eles não vão conseguir cumprir, evitar as queixas aos respectivos pais (a maior parte deles, se não todos, bate-lhes, que eu conheço bem os sinais).
Tentei explicar isto aos meus colegas. Não compreenderam, nem aceitaram. São veteranos com grande peso na escola e peso político fora dela. E foram à direcção queixar-se de mim, acusando-me de negligente. Expliquei-me. Acho que a direcção percebeu. Mas disseram-me: se continuas nessa via, como tens os professores contra ti, os teus esforços vão ser sabotados; ou então fazes simplesmente o que eles querem (subentendo-se: nós também).
Se não fosse este sistema de avaliação de professores, eu ia à luta,como já fui no passado... bom, e a verdade é que fui posto na “prateleira”. Mas agora podem fazer-me muito mais mal. Portanto, não tive alternativa.
Resultado?
Umas tantas tareias em casa, primeiro. Depois, o ambiente nas aulas (incluindo nas de Educação Física), na sala de estudo (para onde vão quando são mandados sair da aula) e no pátio, passou de mau a infernal... e eu perdi o pouco controle e respeito que estava a começar conseguir ganhar sobre aqueles alunos.
domingo, setembro 28, 2008
Sonata de Outono, Ingmar Bergman
Estive a ver Sonata de Outono, para mim o filme de Bergman de que mais gostei até agora, juntamente com Monika e o Desejo.
Em ambos aparece um olhar que nunca mais nos larga até ao fim da vida, o de Liv Ullmann no primeiro:

e o de Harriet Andersson no segundo:

A propósito da personagem Eva, interpretada precisamente por Liv Ullmann, apercebi-me de uma tragédia terrível:
Sempre que alguém não sabe a pessoa, o ser que é realmente, jamais conseguirá descobrir quando e que está a ser realmente amado.
Em ambos aparece um olhar que nunca mais nos larga até ao fim da vida, o de Liv Ullmann no primeiro:

e o de Harriet Andersson no segundo:

A propósito da personagem Eva, interpretada precisamente por Liv Ullmann, apercebi-me de uma tragédia terrível:
Sempre que alguém não sabe a pessoa, o ser que é realmente, jamais conseguirá descobrir quando e que está a ser realmente amado.
Governo quer...
... 100% de aprovações no 9º ano!
Depois de ter conseguido tudo o que queria até ao momento, perante uma opinião publicada e pública amorfas e cúmplices, a ministra pode dar-se ao luxo de pedir o incrível: porque hão-de agora os portugueses recusar-lho?
Depois de ter conseguido tudo o que queria até ao momento, perante uma opinião publicada e pública amorfas e cúmplices, a ministra pode dar-se ao luxo de pedir o incrível: porque hão-de agora os portugueses recusar-lho?
quinta-feira, setembro 25, 2008
A Velhice... End Of The Line (Traveling Wilburys)
Este é um assunto que me interessa cada vez mais, quanto o tempo que me resta é cada vez menos.
Seleccionei estas citações das que se encontram no "Brain Candy Quotations". Escolhi-as por me serem verdadeiras e por apontarem para muitas direcções... no fundo, "old age is always an unfinished business" (e esta citação é minha)!
Old age is no place for sissies. (Bette Davis)
Perhaps being old is having lighted rooms inside your head, and people in them, acting. People you know, yet can't quite name. (Philip Larkin)
At age fifty, every man has the face he deserves. (George Orwell)
We do not count a man's years until he has nothing else to count. (Ralph Waldo Emerson)
Nobody grows old merely by living a number of years. We grow old by deserting out ideals. Years may wrinkle the skin, but to give up enthusiasm wrinkles the soul. (Samuel Ullman)
Age is a question of mind over matter. If you don’t mind, it doesn’t matter. (Satchel Paige)
How old would you be if you didn't know how old you was? (Satchel Paige)
Like our shadows,
Our wishes lengthen as our sun declines. (Edward Young “Night Thoughts”)
E agora, a música com Bob Dylan, George Harrison, Roy Orbison, Tom Petty e Jeff Lynne, ou seja, The Traveling Wilburys!
...
Well it's all right, riding around in the breeze
Well it's all right, if you live the life you please
Well it's all right, even if the sun dont shine
Well it's all right, we're going to the end of the line!
Seleccionei estas citações das que se encontram no "Brain Candy Quotations". Escolhi-as por me serem verdadeiras e por apontarem para muitas direcções... no fundo, "old age is always an unfinished business" (e esta citação é minha)!
Old age is no place for sissies. (Bette Davis)
Perhaps being old is having lighted rooms inside your head, and people in them, acting. People you know, yet can't quite name. (Philip Larkin)
At age fifty, every man has the face he deserves. (George Orwell)
We do not count a man's years until he has nothing else to count. (Ralph Waldo Emerson)
Nobody grows old merely by living a number of years. We grow old by deserting out ideals. Years may wrinkle the skin, but to give up enthusiasm wrinkles the soul. (Samuel Ullman)
Age is a question of mind over matter. If you don’t mind, it doesn’t matter. (Satchel Paige)
How old would you be if you didn't know how old you was? (Satchel Paige)
Like our shadows,
Our wishes lengthen as our sun declines. (Edward Young “Night Thoughts”)
E agora, a música com Bob Dylan, George Harrison, Roy Orbison, Tom Petty e Jeff Lynne, ou seja, The Traveling Wilburys!
...
Well it's all right, riding around in the breeze
Well it's all right, if you live the life you please
Well it's all right, even if the sun dont shine
Well it's all right, we're going to the end of the line!
quarta-feira, setembro 24, 2008
Viver...
... mais anos!
É um método que funciona em termos de bem estar, pelo menos, posso confirmá-lo. Aliás, não é por acaso que todas as religiões prescrevem jejuns.
A questão, porém, é outra. Para que me serve a mim adiar a morte uns anos, estando deitado, sem me conseguir mexer, sem já nem sequer reconhecer ninguém, ou seja, estando cerebralmente morto (caso que conheço pessoalmente)? Aqui é que era desejável termos mais respostas.
Entretanto, à falta de melhor, aqui ficam 120 maneiras de desenvolver a capacidade do cérebro, com links muito interessantes!
É um método que funciona em termos de bem estar, pelo menos, posso confirmá-lo. Aliás, não é por acaso que todas as religiões prescrevem jejuns.
A questão, porém, é outra. Para que me serve a mim adiar a morte uns anos, estando deitado, sem me conseguir mexer, sem já nem sequer reconhecer ninguém, ou seja, estando cerebralmente morto (caso que conheço pessoalmente)? Aqui é que era desejável termos mais respostas.
Entretanto, à falta de melhor, aqui ficam 120 maneiras de desenvolver a capacidade do cérebro, com links muito interessantes!
segunda-feira, setembro 22, 2008
As probabilidades do amor
Alan Brogan e Irene Kinnair, depois de conviverem alguns meses no mesmo orfanato, estiveram separados 45 anos, mas conseguiram encontrar-se de novo e casaram-se. Confesso: histórias assim comovem-me mesmo.
Para todos os que não acreditam que estas coisas lhes possam acontecer, pelo menos...
Don't Be Shy!
Cat Stevens
Don't be shy just let your feelings roll on by
Don't wear fear or nobody will know you're there
Just lift your head, and let your feelings out instead
And don't be shy, just let your feeling roll on by
On by
You know love is better than a song
Love is where all of us belong
So don't be shy just let your feelings roll on by
Don't wear fear or nobody will know you're there
You're there
Don't be shy just let your feelings roll on by
Don't wear fear or nobody will know you're there
Just lift your head, and let your feelings out instead
And don't be shy, just let your feeling roll on by
Para todos os que não acreditam que estas coisas lhes possam acontecer, pelo menos...
Don't Be Shy!
Cat Stevens
Don't be shy just let your feelings roll on by
Don't wear fear or nobody will know you're there
Just lift your head, and let your feelings out instead
And don't be shy, just let your feeling roll on by
On by
You know love is better than a song
Love is where all of us belong
So don't be shy just let your feelings roll on by
Don't wear fear or nobody will know you're there
You're there
Don't be shy just let your feelings roll on by
Don't wear fear or nobody will know you're there
Just lift your head, and let your feelings out instead
And don't be shy, just let your feeling roll on by
Racismo (e as eleições americanas)
Seremos todos racistas? Eu acho que sim. Eu pensava que não. No tempo em que trabalhava em Lisboa e andava de metro reparei, um dia, que quando entrava um grupo de jovens negros eu ficava muito mais tenso do que se entrasse um grupo de jovens brancos. Sem razão concreta absolutamente nenhuma. Perdi um bom bocado da minha inocência aí.
Nos Estados Unidos, uma sondagem recente apresenta valores preocupantes de racismo. Que irão aliás condicionar, não tenho dúvidas nenhumas, os resultados eleitorais. Por uma simples razão: mesmo aqueles que dizem que não deixam que assuntos de cor da pele influenciem a sua decisão, na hora de votar, no anonimato da cabine, muitos irão votar em McCain porque Obama é "negro" (que em rigor, aliás, não é).
Tantas vezes que me pergunto de onde surge esta força maléfica que leva à distância, ao desprezo, ao ódio! Se houvesse só racismo dos brancos contra os pretos, eu avançaria com a explicação de que, possivelmente, na base estaria a cor negra que, na nossa cultura, associamos ao Mal e à Morte. Mas o racismo também existe no sentido contrário, embora menos, pelo menos nos EUA, como se concluiu da dita sondagem (por exemplo: "One in five whites [20%] have felt admiration for blacks "very" or "extremely" often. Seventy percent of blacks have felt the same about whites.")
Já sabemos que o conceito de raça não tem qualquer base científica consistente. E, do ponto de vista da realidade, é igualmente absurdo: o que é exactamente um "negro" ou um "branco"? Veja-se isto que me aconteceu:
X para mim é negra. X dizia-me no outro dia: "Não gosto nada do noivo da minha filha, mas o pior de tudo é que ele é negro, é mesmo preto!" E eu fiquei a olhar para ela, de boca aberta, estupefacto!
Nos Estados Unidos, uma sondagem recente apresenta valores preocupantes de racismo. Que irão aliás condicionar, não tenho dúvidas nenhumas, os resultados eleitorais. Por uma simples razão: mesmo aqueles que dizem que não deixam que assuntos de cor da pele influenciem a sua decisão, na hora de votar, no anonimato da cabine, muitos irão votar em McCain porque Obama é "negro" (que em rigor, aliás, não é).
Tantas vezes que me pergunto de onde surge esta força maléfica que leva à distância, ao desprezo, ao ódio! Se houvesse só racismo dos brancos contra os pretos, eu avançaria com a explicação de que, possivelmente, na base estaria a cor negra que, na nossa cultura, associamos ao Mal e à Morte. Mas o racismo também existe no sentido contrário, embora menos, pelo menos nos EUA, como se concluiu da dita sondagem (por exemplo: "One in five whites [20%] have felt admiration for blacks "very" or "extremely" often. Seventy percent of blacks have felt the same about whites.")
Já sabemos que o conceito de raça não tem qualquer base científica consistente. E, do ponto de vista da realidade, é igualmente absurdo: o que é exactamente um "negro" ou um "branco"? Veja-se isto que me aconteceu:
X para mim é negra. X dizia-me no outro dia: "Não gosto nada do noivo da minha filha, mas o pior de tudo é que ele é negro, é mesmo preto!" E eu fiquei a olhar para ela, de boca aberta, estupefacto!
sábado, setembro 20, 2008
Um outro Paradoxo da Omnipotência
O mais conhecido é o "paradoxo da pedra".
Que, diga-se de passagem, nunca achei muito sério, pois confunde-se com um simples jogo de palavras (do género "O que acontece ao meu punho quando abro a mão?").
Mas este, que passo a expor, da autoria de J. L. Mackie, é irremediavelmente sério:
"Deus é omnipotente."
"Deus é infinitamente bom."
"O mal existe."
Três afirmações que nenhum crente razoável pode considerar falsas, penso eu.
O problema é que as três, simultaneamente, não podem ser verdadeiras.
Se Deus é omnipotente e infinitamente bom, então o mal não pode existir.
Se Deus é omnipotente e o mal existe, então Deus não é infinitamente bom.
Se Deus é infinitamente bom e o mal existe, então Deus não é omnipotente.
Considero este paradoxo dramaticamente sério porque está na base intelectual do meu ateísmo: um deus que permite que crianças sejam abusadas, feridas e mortas das formas mais cruéis, mesmo que exista, é um deus que não me interessa para nada. Na verdade, prefiro fazer a justiça de pensar que tal ser não existe.
(Uma discussão deste paradoxo vem referida na Introdução, de António de Araújo e de Miguel Nogueira de Brito, ao livro Eichmann em Jerusalém, de Hannah Arendt, p.33 e seg.)
Que, diga-se de passagem, nunca achei muito sério, pois confunde-se com um simples jogo de palavras (do género "O que acontece ao meu punho quando abro a mão?").
Mas este, que passo a expor, da autoria de J. L. Mackie, é irremediavelmente sério:
"Deus é omnipotente."
"Deus é infinitamente bom."
"O mal existe."
Três afirmações que nenhum crente razoável pode considerar falsas, penso eu.
O problema é que as três, simultaneamente, não podem ser verdadeiras.
Se Deus é omnipotente e infinitamente bom, então o mal não pode existir.
Se Deus é omnipotente e o mal existe, então Deus não é infinitamente bom.
Se Deus é infinitamente bom e o mal existe, então Deus não é omnipotente.
Considero este paradoxo dramaticamente sério porque está na base intelectual do meu ateísmo: um deus que permite que crianças sejam abusadas, feridas e mortas das formas mais cruéis, mesmo que exista, é um deus que não me interessa para nada. Na verdade, prefiro fazer a justiça de pensar que tal ser não existe.
(Uma discussão deste paradoxo vem referida na Introdução, de António de Araújo e de Miguel Nogueira de Brito, ao livro Eichmann em Jerusalém, de Hannah Arendt, p.33 e seg.)
sexta-feira, setembro 19, 2008
Eichmann em Jerusalém, ...

... Uma reportagem sobre a banalidade do mal.
Este polémico livro trata do julgamento no qual a acusação tentou mostrar Eichmann como sendo um monstro desumano e sádico. Tese com a qual Hannah Arendt, autora do livro, se mostrou em completo desacordo: para ela, Eichmann foi um pouco inteligente burocrata nazi, apenas preocupado com o cumprimento das regras e das leis, que simplesmente realizou o trabalho que lhe deram para fazer.
Eis o que diz Stanley Milgram, em Obedience to Authority:
Depois de assistir a centenas de pessoas comuns a submeterem-se à autoridade nas nossas próprias experiências, tenho de concluir que a concepção de banalidade do mal de Hannah Arendt está muito mais próxima da verdade do que nos atreveríamos a imaginar. (p. 7)
As palavras de H. Arendt:
Tenho hoje, com efeito, a opinião de que o mal nunca é "radical", que ele é apenas extremo e de que não possui nem profundidade, nem qualquer dimensão demoníaca. Ele pode invadir tudo e assolar o mundo inteiro precisamente porque se espalha como um fungo. Ele "desafia o pensamento", como disse, porque o pensamento tenta alcançar a profundidade, ir à raiz das coisas, e no momento em que se ocupa do mal sai frustrado porque nada encontra. Nisto consiste a sua "banalidade". (p. 25)
quarta-feira, setembro 17, 2008
O dilema dos adolescentes com dificuldades de aprendizagem
Quantas vezes nós, professores, nos irritamos com os alunos que, tendo dificuldades, não se esforçam absolutamente nada para as superar!
Porém, esses alunos vivem um dilema terrível.
Se se esforçam, e como naturalmente não conseguem grandes resultados, sentem que aparecem aos olhos dos colegas e amigos como burros e "mongos".
Se não se esforçam, não falham. E sentem que, aos olhos dos seus pares, até podem aparecer como fixes.
Repare-se que esta última opção tem duas vantagens irresistíveis:
Primeira, não tenho de concluir que sou burro, sou eu que escolho não estudar.
Segunda, não passo vergonhas aos olhos dos outros; pelo contrário, até posso ganhar prestígio aos olhos dos meus colegas, se souber gerir bem a minha oposição ao professor.
É muito, muito tentadora esta última opção.
Porém, esses alunos vivem um dilema terrível.
Se se esforçam, e como naturalmente não conseguem grandes resultados, sentem que aparecem aos olhos dos colegas e amigos como burros e "mongos".
Se não se esforçam, não falham. E sentem que, aos olhos dos seus pares, até podem aparecer como fixes.
Repare-se que esta última opção tem duas vantagens irresistíveis:
Primeira, não tenho de concluir que sou burro, sou eu que escolho não estudar.
Segunda, não passo vergonhas aos olhos dos outros; pelo contrário, até posso ganhar prestígio aos olhos dos meus colegas, se souber gerir bem a minha oposição ao professor.
É muito, muito tentadora esta última opção.
segunda-feira, setembro 15, 2008
Quando os deuses querem castigar-nos, respondem às nossas orações (*)
Mas eu não acredito em deuses nenhuns, nem em orações nenhumas.
Que castigo me estará reservado?
Sim, eu sei, a solidão - tanto na vida como na morte.
Mas, a estar sozinho (e não estamos todos?), prefiro estar só a estar acompanhado.
Castigo bem singular este.
(*) (...) that when the gods wish to punish us, they answer our prayers é uma frase de Oscar Wilde, da peça Um Marido Ideal (2ºActo), e que Ana Teresa Pereira usa no seu último livro, belísssimo como sempre, O Fim de Lizzie.
Que castigo me estará reservado?
Sim, eu sei, a solidão - tanto na vida como na morte.
Mas, a estar sozinho (e não estamos todos?), prefiro estar só a estar acompanhado.
Castigo bem singular este.
(*) (...) that when the gods wish to punish us, they answer our prayers é uma frase de Oscar Wilde, da peça Um Marido Ideal (2ºActo), e que Ana Teresa Pereira usa no seu último livro, belísssimo como sempre, O Fim de Lizzie.
domingo, setembro 14, 2008
Caros colegas...
... para a aventura!
Um bom ano, o mais centrado possível nos alunos (que são a verdadeira razão de ser do nosso empenho e realização).
Para isso, proponho o seguinte lema:
People don't care how much you know
until they know how much you care.
(As pessoas não se importam com o que sabes
até saberem o quanto tu te importas com elas)
Um bom ano, o mais centrado possível nos alunos (que são a verdadeira razão de ser do nosso empenho e realização).
Para isso, proponho o seguinte lema:
People don't care how much you know
until they know how much you care.
(As pessoas não se importam com o que sabes
até saberem o quanto tu te importas com elas)
sexta-feira, setembro 12, 2008
Oh! je voudrais tant que tu te souviennes
La Chanson de Prévert, Serge Gainsbourg
Oh! je voudrais tant que tu te souviennes
Cette chanson était la tienne
C'était ta préférée
Je crois
Qu'elle est de Prévert et Kosma
Et chaque fois les feuilles mortes
Te rappellent à mon souvenir
Jour après jour
Les amours mortes
N'en finissent pas de mourir
Avec d'autres bien sûr je m'abandonne
Mais leur chanson est monotone
Et peu à peu je m' indiffère
A cela il n'est rien
A faire
Car chaque fois les feuilles mortes
Te rappellent à mon souvenir
Jour après jour
Les amours mortes
N'en finissent pas de mourir
Peut-on jamais savoir par où commence
Et quand finit l'indifférence
Passe l'automne vienne
L'hiver
Et que la chanson de Prévert
Cette chanson
Les Feuilles Mortes
S'efface de mon souvenir
Et ce jour là
Mes amours mortes
En auront fini de mourir
Et ce jour là
Mes amours mortes
En auront fini de mourir
Les Feuilles Mortes, Yves Montand
paroles: Jacques Prévert
musique: Joseph Kosma
Oh! je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux où nous étions amis
En ce temps-là la vie était plus belle,
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois, je n'ai pas oublié...
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emporte
Dans la nuit froide de l'oubli.
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais.
C'est une chanson qui nous ressemble
Toi, tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions tous les deux ensemble
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement, sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants désunis.
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Mais mon amour silencieux et fidèle
Sourit toujours et remercie la vie
Je t'aimais tant, tu étais si jolie,
Comment veux-tu que je t'oublie?
En ce temps-là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Tu étais ma plus douce amie
Mais je n'ai que faire des regrets
Et la chanson que tu chantais
Toujours, toujours je l'entendrai!
Oh! je voudrais tant que tu te souviennes
Cette chanson était la tienne
C'était ta préférée
Je crois
Qu'elle est de Prévert et Kosma
Et chaque fois les feuilles mortes
Te rappellent à mon souvenir
Jour après jour
Les amours mortes
N'en finissent pas de mourir
Avec d'autres bien sûr je m'abandonne
Mais leur chanson est monotone
Et peu à peu je m' indiffère
A cela il n'est rien
A faire
Car chaque fois les feuilles mortes
Te rappellent à mon souvenir
Jour après jour
Les amours mortes
N'en finissent pas de mourir
Peut-on jamais savoir par où commence
Et quand finit l'indifférence
Passe l'automne vienne
L'hiver
Et que la chanson de Prévert
Cette chanson
Les Feuilles Mortes
S'efface de mon souvenir
Et ce jour là
Mes amours mortes
En auront fini de mourir
Et ce jour là
Mes amours mortes
En auront fini de mourir
Les Feuilles Mortes, Yves Montand
paroles: Jacques Prévert
musique: Joseph Kosma
Oh! je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux où nous étions amis
En ce temps-là la vie était plus belle,
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois, je n'ai pas oublié...
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emporte
Dans la nuit froide de l'oubli.
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais.
C'est une chanson qui nous ressemble
Toi, tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions tous les deux ensemble
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement, sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants désunis.
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Mais mon amour silencieux et fidèle
Sourit toujours et remercie la vie
Je t'aimais tant, tu étais si jolie,
Comment veux-tu que je t'oublie?
En ce temps-là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Tu étais ma plus douce amie
Mais je n'ai que faire des regrets
Et la chanson que tu chantais
Toujours, toujours je l'entendrai!
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