Respigo uns comentários no facebook de alguém a propósito da superioridade das escolas privadas (e que, provavelmente, são subscritas por algumas, espero que poucas, outras pessoas):
com todo o respeito:
O senhor está enganado, terrivelmente enganado. Provavelmente, é vítima da propaganda que quer acabar com a escola pública.
O senhor vem falar de como cuidar de um campo de flores e eu
vou falar-lhe de sobreviver e tentar salvar da barbárie o maior número possível de crianças e jovens.
Na verdade, a ignorância que o senhor revela ao falar dos professores da escola pública é
tão desproporcionada que não me posso calar. E explico-lhe porquê.
Primeiro, porque se os seus filhos e a sua família ainda
conseguem andar em relativa segurança é porque a escola pública e os seus docentes e funcionários recebem
e tentam também educar reais e potenciais delinquentes.
Segundo, porque o senhor não sabe o que é ter o seu carro incendiado; não sabe o que é ser insultado e ameaçado
diariamente, física e psiquicamente; não sabe o que é chegar a levar uns
valentes pontapés e bofetadas; não sabe o que é ter alunos seus (que
podiam ser os seus filhos) a serem enviados para o hospital, uns em coma,
outros nem tanto, perante a impotência dos professores; não sabe o que é chama
a polícia e esta não poder vir porque está ocupada noutras escolas
com acontecimentos similares. Que fique registado que isto é apenas uma pequena amostra de
E já agora, deixe-me que lhe diga que o senhor também não sabe, não
pode saber, o que é sentir o orgulho de ter alunos com Necessidades Educativas
Especiais em quase todas as turmas, miúdos e miúdas, muitos dos quais são expulsos
ou cuja entrada é recusada por escolas privadas. Sim, repito, por escolas privadas.
Apesar de eu ter conseguido sair desse inferno (sem nada nas mãos e
tendo que começar toda uma nova vida), nunca deixarei de estar ao lado dessas
centenas e milhares de professores (na verdade, professoras na sua maioria), a fazerem diariamente das tripas coração e
a trabalharem nestas martirizadas escolas públicas, sabendo esses professores que jamais obterão
da sociedade o reconhecimento, e muito menos a gratidão, que merecem.
Tendo, ainda por cima, de ouvir
pessoas, como o senhor, que estão convencidas de que sabem tudo e que na verdade pouco ou nada
sabem do que criticam.