quinta-feira, agosto 14, 2008

Do Amor: algumas anotações

A maior diferença que encontro entre a pessoa em que me tornei hoje e o adolescente que fui é que, então, eu sonhava com o Amor, e agora não consigo deixar de sonhar com ele (pode-se aprender a não ser amado?).

Sempre tive a maior curiosidade em me informar sobre o Amor. Não percebi que, ao contrário, devia ter-me antes educado.

Apesar de reconhecer que o tratamento por "tu" é mais sensual e excitante, aprecio um tratamento por "você" que mantenha o mais tempo possível o mistério que somos um para o outro.

Acho a boa educação e a suavidade de maneiras altamente desejável quando me relaciono com uma mulher. No jogo de aproximações entre um homem e uma mulher, uma palavra grosseira, uma piada pesada, um beijo invasivo, etc, são como pedradas num charco: de certa maneira sentimo-nos salpicados de lama... mesmo quando conseguimos por fora um (sor)riso tolerante.

É aos cinquenta anos que eu fico a saber que falhei a minha vida. Para me salvar procuro reconhecer os meus limites: muitos deles têm a realidade apenas da imaginação. Vou-me descobrindo no alto-mar sem terra à vista. Mas é um começo. Um dia, talvez um dia, a encontre.

O primeiro inimigo do(a) tímido(a) no Jogo do Amor é o orgulho, a inaptidão para o ridículo. O segundo é a solidão, o aquário em que se meteu para fugir à dor inesperada: é que não é fácil sair dele (onde aliás já ninguém consegue verdadeiramente tocar-lhe).

Sonho amar uma mulher bonita. Mas só encontro raparigas velhas (dos 13, 14 anos aos 60, 65).

5 comentários:

de.puta.madre disse...

Tás tramado! O icone do mulherio é a Madonna ... Conforma-te.
Eu também sonho com um homem bom e honesto. Sabes: não há!

Rui disse...

Não sei se não há e não tenho a certeza de, havendo, isso ser uma coisa boa, digo-te.
Eu também sonhei com uma mulher boa e honesta e tive a felicidade de andar com uma: mas dei-me mal.
Como era boa e já tinha sido lixada bastantes vezes por isso, era de uma desconfiança terrível, aquilo parecia ácido.
Por outro lado, o amor tem altos e baixos, e há que ter a sabedoria e a flexibilidade para não dar excessiva importância aos baixos. Mas como ela era mesmo honesta, sempre que estava num "baixo", deixava-me; até que me cansei e acabei a relação definitivamente aí à 4ª ou 5ª vez que me deixou.

Xantipa disse...

Quanto mais conceitos prévios temos sobre a pessoa que queremos, mais difícil é deixar que o amor aconteça. Não estou com isto a dizer que não devamos ter os nosso preceitos, mas penso que é útil deixarmo-nos, de vez em quando, levar.
Um abraço e votos de bom ano lectivo (cheguei aqui através do Méon)

Rui disse...

E agradável, Xantipa. Mas, para quem desconfia de si mesmo mais do que dos outros, é uma tarefa bem difícil a de deixar-se levar.
Bom ano lectivo também.

Xantipa disse...

Sim, claro. nesse caso, para quem desconfia de si mesmo, será difícil.
:)
Um abraço