domingo, outubro 30, 2005

Retratos de mulheres e de homens na literatura

Estou a ler "A Filha da Floresta", livro escrito por Juliet Marillier, no qual a minha personagem favorita é um homem, Finbar.
E ocorreu-me pensar (não sei se tenho razão, posso estar a ser injusto) que actualmente é muito difícil encontar um escritor que não revele o seu medo das mulheres. O mesmo já não acontece com as escritoras que são muito mais livres na apreciação que fazem dos homens.
Com os escritores vemos uma atitude perante as mulheres que vai desde a veneração (uma forma de medo, de qualquer modo), passando pela distância e pelo mistério, até ao rebaixamento. Alguns não conseguem mesmo esconder algo de próximo à misoginia, no seu sentido mais lato.
Veja-se, por exemplo, o caso de Arturo Pérez-Reverte. Nos livros que eu li (O Mestre de Esgrima, O Clube Dumas e O Cemitério Dos Barcos Sem Nome) há personagens masculinas boas e más; mas, femininas, praticamente, são sempre más!
No caso deste autor tenho pena e causa-me desconforto porque acho-o o escritor que melhor descreve a alma masculina (veja-se n'O Cemitério Dos Barcos...). Além disso, é um excelente escritor de aventuras.
Voltando à Filha da Floresta, há de facto uma grande doçura na descrição de algumas personagens masculinas. Eu, que cresci e me formei num tempo em que os homens eram suspeitos, quando não acusados, de serem todos uns Machos Porcos Chauvinistas, tenho de vos confessar: ler este livro tem-me feito sentir num oásis!

5 comentários:

MRF disse...

talvez tenhas razão nas tuas apreciações mas quanto ao Artur Pérez-Reverte, não concordo: no Cemitério e tb na Rainha do Sul, as mulheres - ou a mulher - não é má, os seus actos é que são. mas conseguimos compreender a sua história e até perdoar-lhes. Mais na Rainha do Sul. Afinal, gostamos dessa rapariga-mulher que se torna uma das maiores traficantes do Mediterrâneo. O que ele entrega às mulheres (e aos homens) é uma solidão e um desamparo imensos.

Não conhecia A Filha na Floresta (nem a escritora, confesso). Voy a ver se la encuentro :)

besos

Angela disse...

Li essa trilogia toda: A Filha da Floresta, O Filho das Sombras, A Filha da Profecia. Digo-te que de volume em volume, vai melhorando. E O Fimbar ainda vai ter um papel importante. :) E se falas da doçura que ela vê nos homens, então depois desta trilogia lê O Filho de Thor e Máscara-De-Raposa: a autora encontra doçura nos vikings, homens duros e assassinos, que ela consegue suavizar. E já saiu o último dela, que vou comprar. É uma das minhas autoras favoritas. Não a largo. Engraçadp teres falado dela aqui.

Angela disse...

Finbar, claro. Sorry

Rui disse...

Ângela, obrigado pelas referências. A Juliet tocou-me, ainda não sei bem onde, mas tocou-me.

Rui disse...

Rosário, não li ainda a Rainha do Sul, portanto, se calhar, não devo generalizar.
Mas deixa-me pôr a questão desta maneira: não se fica a compreender melhor as mulheres (já nem digo a amá-las mais) depois de ler os outros livros que referi no post. Acho eu. Mas os homens, sim. Acho eu, mais uma vez.
Bjs