terça-feira, fevereiro 03, 2009

Contra a avaliação

Razões por que estou contra:

1 - Porque acho a competição danosa para a educação (tal como o acham a esmagadora maioria dos países europeus, incluindo a Filândia). Pense-se nos pais: é bom estarem em competição ou é melhor a colaboração quando se trata de educar os seus filhos?

2 - Porque acho eticamente abominável e profundamente desmoralizador a existência de quotas para professores muito bons ou excelentes. É matar a vontade e o respeito por se tentar fazer o melhor.

3 - Porque despreza os que cumprem as suas obrigações, só não penalizando os classificados com Bom ou mais.

4 - Porque é um desastre para o país e para o seu futuro uma avaliação baseada nos resultados dos alunos (que foi abandonada temporariamente e com justificações apenas de simplificação burocrática). É como premiar os fiscais de obras pelo número de obras aprovadas, ou polícias pela ausência de multa: é um absurdo estúpido.

5 - Porque me recuso a pactuar com manobras indecentes e inescrupulosas por parte do governo: ameaças, chantagens, intimidação aos mais fracos e desprotegidos, atribuição de privilégios especiais a certos grupos de professores (mostrando assim o quão pouco acreditam no próprio modelo que dizem defender).

6 - Porque decidi recusar-me a condicionar as minhas escolhas éticas ao medo do que eles me possam fazer. Deste modo, livremente, posso desobedecer a ordens que só causam mal, o que representa agora uma tarefa de carácter cívico e de cidadania que transcende a mera esfera pessoal. Ainda por cima, sei que o Governo fica impotente se ninguém lhe obedecer - é uma luta que, ao contrário de muitas outras, tem o sucesso garantido... desde que não se obedeça ao medo.

3 comentários:

Marta disse...

Olá! Só para dizer que a Maria Heli, regressou à blogosfera, desta vez, com nome próprio!
E Se souberes algo da Crazy Jo, por favor, diz-me.
Obrigada :)

Xantipa disse...

Admiro a tua coragem!
Beijinhos

Méon, disse...

Este postal, tal como os anteriores sobre o mesmo tema, tocaram-me profundamente.
É que olho, desencantado, para este rebanho que há poucos meses gritava nas ruas e agora entra, cabisbaixo, nos gabinetes dos C. Executivos, a entregar os objectivos... a porem a cabeça no cepo...a lamberem a gamela da submissão!

Volta O'Neill! Escreve de novo os teus poemas devastadores sobre a "Videirunha" destes portugas cagados de medo!

Bem hajas, meu amigo! "Há sempre alguém que resiste..."