A vida. Tão pouco e tão tanto. (...) E todavia eu sei que "isto" nasceu para o silêncio sem fim... (Vergílio Ferreira)
sábado, junho 28, 2008
House Of The Rising Sun
Geordie:
Brian Johnson (lead vocals) - Antes de ir para os AC / DC
Vic Malcolm (lead guitar)
Tom Hill (bass guitar)
Brian Gibson (drums)
domingo, junho 15, 2008
Onde estou e para onde me mobilizo
Morte de Deus, reversão aos nossos estritos limites, encontro connosco mediante a presença de nós a nós e à vida, mediante a revivificação do que nos é original pela apreensão do que nos é original, a reabsorção ou transcendência à originalidade do que se esterilizou em secura (...)
(Vergílio Ferreira, Da Fenomenologia a Sartre)
(Vergílio Ferreira, Da Fenomenologia a Sartre)
terça-feira, junho 10, 2008
Ainda Lawrence Durrell e "Clea"
"(...) e depois a Primavera apressou-se a ceder a este magnífico e último Verão, que chegou aos poucos, como se viesse de alguma latitude longamente esquecida que o Éden tivesse durante muito tempo desfrutado em sonho e maravilhosamente descoberto mais tarde entre os pensamentos dormentes da humanidade. Fundeou entre nós uma nave maravilhosa que lançou ferro diante da cidade e colheu as velas brancas como as asas de uma gaivota. Ah, procuro as metáforas capazes de evocar a felicidade penetrante raramente concedida àqueles que amam; (...)" (241)
(...) Lastimável não ser possível capturar a brilhante plumagem desse Verão, pois na velhice não teremos senão estas parcas recordações para alimentar a nossa nostálgica felicidade. Será a memória capaz de reter os quadros destes dias incomparáveis? Duvido... Na sombra lilás e espessa das velas brancas, debaixo dos sombrios cachos de figos, ao meio-dia, nas rotas lendárias dos desertos, onde progridem as caravanas de especiarias e onde as dunas afiladas sobem aos céus para captar, no seu sono deslumbrado, o palpitar das asas das gaivotas que passam como flocos de espuma? Ou as chicotadas geladas das vagas nos pontões desmantelados das ilhas esquecidas? E o sereno que tomba sobre os portos desertos, onde as velhas balizas árabes apontam os dedos enferrujados? A soma destas coisas há-de certamente subsistir algures. Contudo, ainda não assombraram a memória. Os dias sucediam-se no calendário do desejo, e as noites voltavam-se docemente no sono para repelir as trevas, inundando-nos de novo com a luminosidade real do Sol. Tudo conspirava para esta harmonia serena." (242)
"(...) as vinhas amadurecem docemente para testemunhar que, muito depois de os homens terem cessado de brincar com os instrumentos de morte por meio dos quais exprimem o seu medo de viver, os antigos deuses sombrios continuarão ali, debaixo da terra, ocultos no húmus... Estão indelevelmente enraizados no sonho dos homens. Jamais capitularão!" (301)
No Quarteto de Alexandria, para além da profunda miscigenação entre as paisagens (quentes e insuportavelmente luminosas, mesmo quando nocturnas) e os seres, existe uma permanente preocupação de não cair na vulgaridade, de não apresentar nunca personagens vulgares: eis por onde surge a minha adesão total a esta obra.
(...) Lastimável não ser possível capturar a brilhante plumagem desse Verão, pois na velhice não teremos senão estas parcas recordações para alimentar a nossa nostálgica felicidade. Será a memória capaz de reter os quadros destes dias incomparáveis? Duvido... Na sombra lilás e espessa das velas brancas, debaixo dos sombrios cachos de figos, ao meio-dia, nas rotas lendárias dos desertos, onde progridem as caravanas de especiarias e onde as dunas afiladas sobem aos céus para captar, no seu sono deslumbrado, o palpitar das asas das gaivotas que passam como flocos de espuma? Ou as chicotadas geladas das vagas nos pontões desmantelados das ilhas esquecidas? E o sereno que tomba sobre os portos desertos, onde as velhas balizas árabes apontam os dedos enferrujados? A soma destas coisas há-de certamente subsistir algures. Contudo, ainda não assombraram a memória. Os dias sucediam-se no calendário do desejo, e as noites voltavam-se docemente no sono para repelir as trevas, inundando-nos de novo com a luminosidade real do Sol. Tudo conspirava para esta harmonia serena." (242)
"(...) as vinhas amadurecem docemente para testemunhar que, muito depois de os homens terem cessado de brincar com os instrumentos de morte por meio dos quais exprimem o seu medo de viver, os antigos deuses sombrios continuarão ali, debaixo da terra, ocultos no húmus... Estão indelevelmente enraizados no sonho dos homens. Jamais capitularão!" (301)
No Quarteto de Alexandria, para além da profunda miscigenação entre as paisagens (quentes e insuportavelmente luminosas, mesmo quando nocturnas) e os seres, existe uma permanente preocupação de não cair na vulgaridade, de não apresentar nunca personagens vulgares: eis por onde surge a minha adesão total a esta obra.
sábado, junho 07, 2008
Lawrence Durrell
A acabar de reler o Quarteto de Alexandria: Justine, Baltasar, Mountolive e Clea (que tenho agora entre mãos).
Vêm-me estes livros da distante juventude, do início do Verão para cumprir. É esse sopro ainda que eu respiro ao lê-los.
Embora sem a esperança de então.

"Baltasar dizendo: «Este mundo representa a promessa de uma felicidade única para a qual, contudo, não estamos apetrechados.»"
É disto que o Quarteto trata e que procura resolver. Bem?
Sem resposta, só a que cada um encontrar dentro de si.
Se...
Vêm-me estes livros da distante juventude, do início do Verão para cumprir. É esse sopro ainda que eu respiro ao lê-los.
Embora sem a esperança de então.

"Baltasar dizendo: «Este mundo representa a promessa de uma felicidade única para a qual, contudo, não estamos apetrechados.»"
É disto que o Quarteto trata e que procura resolver. Bem?
Sem resposta, só a que cada um encontrar dentro de si.
Se...
domingo, junho 01, 2008
O ódio
O ódio aos professores
O ódio aos professores não se dirige a mim como pessoa, porque no fundo não me conhecem, nem sabem o que faço ou não.
Como esse ódio não tem relação com aquilo que sou, então tudo é acaso.
Faça eu o que fizer.
O ódio à Ministra da Educação e sicários
Sempre fui contra a diabolização da ministra.
Porque quanto mais se diaboliza a personagem
(e ela não é mais que uma personagem, efémera como todas)
menor é a atenção que se dedica à realidade que ela procura distorcer ou ignorar.
O ódio aos professores não se dirige a mim como pessoa, porque no fundo não me conhecem, nem sabem o que faço ou não.
Como esse ódio não tem relação com aquilo que sou, então tudo é acaso.
Faça eu o que fizer.
O ódio à Ministra da Educação e sicários
Sempre fui contra a diabolização da ministra.
Porque quanto mais se diaboliza a personagem
(e ela não é mais que uma personagem, efémera como todas)
menor é a atenção que se dedica à realidade que ela procura distorcer ou ignorar.
segunda-feira, maio 26, 2008
Pobreza e Civilização
(...) considera-se tanto mais civilizado um país quanto mais sábias e eficientes são as suas leis que impedem o miserável de ser demasiado miserável, e o poderoso de ser demasiado poderoso. (Se Isto É Um Homem, Primo Levi)
"O relatório do Eurostat, o organismo estatístico da União Europeia, sobre a situação social nos estados-membros confirma que Portugal é o país com mais desigualdade na distribuição de rendimentos entre os 25 e é o único que apresentava um desnível entre pobres e ricos superior ao dos Estados Unidos. (...)" (Público, 23-05-08)
"O relatório do Eurostat, o organismo estatístico da União Europeia, sobre a situação social nos estados-membros confirma que Portugal é o país com mais desigualdade na distribuição de rendimentos entre os 25 e é o único que apresentava um desnível entre pobres e ricos superior ao dos Estados Unidos. (...)" (Público, 23-05-08)
sábado, maio 24, 2008
Sem Destino, Imre Kertész
Abre hoje a Feira do Livro de Lisboa.
Se não há dinheiro ou tempo para mais nada, pelo menos este livro:

Não vou dizer porquê, ponho aqui apenas uma nota sobre esta obra:
Um rapaz conta a sua vida de judeu húngaro em pleno nazismo.
Ele aceita tudo o que lhe acontece, procurando explicar e comprender as atitudes e comportamentos dos verdugos, alemães ou não.
Busca cumprir com o que lhe vão impondo como sendo as suas obrigações.
A dada altura percebemos que o ser humano, que nos fala e que nos vai descrevendo a sua história de boa vontade e de conformismo, está vivo mas transformou-se literalmente num moribundo.
Volto para enfatizar este ponto:
O rapaz vai arranjando sempre uma explicação razoável para o que lhe está a ser feito.
Quando a não consegue encontrar, pensa sempre que podia ser pior e conforma-se.
Vê bondade e boas intenções nas expressões mesmo dos que o tratam como se ele fosse uma coisa ou um animal.
Aquilo que o humilha, mesmo assim, ele reduz considerando que são ninharias com que será ridículo perder tempo.
Ninharias ou não, ele vai sempre aceitando tudo quanto os algozes lhe dizem que são coisas necessárias...
...E, destes diferentes modos, ele vai convertendo o intolerável em, não só aceitável, como mesmo defensável.
Se não há dinheiro ou tempo para mais nada, pelo menos este livro:
Não vou dizer porquê, ponho aqui apenas uma nota sobre esta obra:
Um rapaz conta a sua vida de judeu húngaro em pleno nazismo.
Ele aceita tudo o que lhe acontece, procurando explicar e comprender as atitudes e comportamentos dos verdugos, alemães ou não.
Busca cumprir com o que lhe vão impondo como sendo as suas obrigações.
A dada altura percebemos que o ser humano, que nos fala e que nos vai descrevendo a sua história de boa vontade e de conformismo, está vivo mas transformou-se literalmente num moribundo.
Volto para enfatizar este ponto:
O rapaz vai arranjando sempre uma explicação razoável para o que lhe está a ser feito.
Quando a não consegue encontrar, pensa sempre que podia ser pior e conforma-se.
Vê bondade e boas intenções nas expressões mesmo dos que o tratam como se ele fosse uma coisa ou um animal.
Aquilo que o humilha, mesmo assim, ele reduz considerando que são ninharias com que será ridículo perder tempo.
Ninharias ou não, ele vai sempre aceitando tudo quanto os algozes lhe dizem que são coisas necessárias...
...E, destes diferentes modos, ele vai convertendo o intolerável em, não só aceitável, como mesmo defensável.
quinta-feira, maio 22, 2008
Dogville, de Lars von Trier

Pai de Grace: A única coisa que tu culpas são as circunstâncias. Violadores e assassinos podem ser vítimas, em tua opinião. Mas na minha são cães, e se lambem o próprio vómito só os podemos impedir a chicote.
Grace: Os cães seguem a sua natureza: não lhes devíamos perdoar por isso?
P: Os cães podem aprender muitas coisas úteis, mas não, se lhes perdoarmos sempre que eles seguirem a sua própria natureza.
G: Então, sou arrogante. Sou arrogante por perdoar às pessoas?
P: Meu Deus, não consegues ver o quão condescendente és ao dizeres isso? Tu tens esta noção pré-concebida que ninguém – ouve! – ninguém pode chegar aos mesmos padrões éticos que tu e, por isso, perdoas tudo. Não consigo imaginar nada mais arrogante que isso. Tu, minha filha, minha querida filha, tu perdoas aos outros com desculpas que nunca aceitarias para ti própria.
G: Porque é que não posso ser compassiva?
P: Não, podes ser, deves ser, quando for a altura de ser compassiva. Mas tens a obrigação de manter os teus próprios padrões, tu deves-lhes isso, tu deves-lhes isso. O castigo que tu mereces para as tuas transgressões, eles merecem para as suas transgressões.
G: Eles são seres humanos...
P: Não precisam todos os seres humanos de serem responsáveis pelas suas acções? Claro que sim, que precisam, só que tu nem lhes chegas a dar essa oportunidade. E isso é extremamente arrogante. Eu amo-te, eu amo-te, eu amo-te até à morte, mas tu és a pessoa mais arrogante que já conheci até hoje. E é a mim que achas arrogante! Não tenho mais nada a dizer.
(...)
G: As pessoas que aqui vivem fazem o melhor que conseguem dadas as circunstâncias em que vivem, circunstâncias muito duras.
P: Se tu o dizes... Mas será o melhor delas suficientemente bom? E gostam elas de ti?
(...)
Narrador: E de repente soube demasiadamente bem a resposta à sua questão, à sua dúvida.
Se ela tivesse agido como eles, ela não conseguiria encontrar uma única desculpa para as suas acções e nunca conseguiria castigar-se a si própria o suficiente.

Era como se a sua pena e a sua dor tivessem encontrado o seu lugar correcto.
Não, o que eles tinham feito não era suficientemente bom.
E, se alguém tinha o poder de corrigir as coisas, então era seu dever fazê-lo, para o bem de outras vilas, para o bem da humanidade.
E não por último, para o bem do ser humano que era Grace, ela própria...
(transcrição feita a partir do filme)
domingo, maio 18, 2008
Asco
"Cerca de 80% dos aviões que chegam a Fortaleza levam homens sozinhos, à procura de companhia, e o Brasil está no topo da lista de países com mais prostituição infantil. São, na sua maioria, portugueses, espanhóis e italianos." (Visão, 15/5/2008, p. 10)
"A barbárie não é apenas um elemento que acompanha a civilização, faz parte integrante desta." (Edgar Morin)
"A barbárie não é apenas um elemento que acompanha a civilização, faz parte integrante desta." (Edgar Morin)
sábado, maio 17, 2008
"Como um judeu de outras épocas" (*)
Um dia eles vão pagá-las.
Os governantes que inventaram dezenas de leis para humilhar e destruir.
A população que, arrastada pela propaganda governamental, apoiou e expandiu essas humilhações para além dos limites minimamente aceitáveis.
Todos vão pagar.
E eu, vou ficar contente?
Não, não vou.
Porque, mesmo com o sonho achincalhado e com a devastação imposta aos mais fracos, nunca haverá pagamento suficiente para saldar as dívidas que, abertas, toda uma sociedade não tem parado de fazer crescer e engordar.
(*) (título retirado de Ribeiro, Gabriel Mithá, A Lógica dos Burros, Pub. Europa-América, 2007, p.64)
Os governantes que inventaram dezenas de leis para humilhar e destruir.
A população que, arrastada pela propaganda governamental, apoiou e expandiu essas humilhações para além dos limites minimamente aceitáveis.
Todos vão pagar.
E eu, vou ficar contente?
Não, não vou.
Porque, mesmo com o sonho achincalhado e com a devastação imposta aos mais fracos, nunca haverá pagamento suficiente para saldar as dívidas que, abertas, toda uma sociedade não tem parado de fazer crescer e engordar.
(*) (título retirado de Ribeiro, Gabriel Mithá, A Lógica dos Burros, Pub. Europa-América, 2007, p.64)
quarta-feira, maio 14, 2008
sábado, maio 10, 2008
Mercedes Sosa, Solo Le Pido A Dios
Solo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente,
Que la reseca Muerta no me encuentre
Vacia y sola sin haber hecho lo suficiente.
Solo le pido a Dios
Que lo injusto no me sea indiferente,
Que no me abofeteen la otra mejilla
Después que una garra me araño esta suerte.
Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente,
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente.
Solo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente
Si un traidor puede mas que unos cuantos,
Que esos cuantos no lo olviden facilmente.
Solo le pido a Dios
Que el futuro no me sea indiferente,
Desahuciado esta el que tiene que marchar
A vivir una cultura diferente.
Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente,
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente.
(León Gieco)
quarta-feira, maio 07, 2008
He Wishes for the Cloths of Heaven
Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.
W.B. Yeats (1865–1939)
The Wind Among the Reeds, 1899
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.
W.B. Yeats (1865–1939)
The Wind Among the Reeds, 1899
sábado, maio 03, 2008
Tocando em frente

Almir Sater escreveu e canta (a composição foi com Renato Teixeira)
(Edição de imagens Ivanete Lilja Viamão Rs)
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei,
nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs.
É preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder seguir,
é preciso a chuva para florir.
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
conhecer a marcha, ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs.
É preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder seguir,
é preciso a chuva para florir.
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
conhecer a marcha, ir tocando em frente
Cada um de nós compõe a sua própria história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
de ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs.
É preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder seguir,
é preciso a chuva para florir.
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
conhecer a marcha, ir tocando em frente
Cada um de nós compõe a sua própria história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
de ser feliz
quarta-feira, abril 30, 2008
Um sistema de ensino eficaz
"(...) é verdade que o país estava num estado lastimável, do ponto de vista da ciência e da tecnologia. Mas quase metade da população era analfabeta e em número de licenciados e doutorados estávamos muito atrás de todos os países. As coisas levam tempo. O investimento na ciência começou, e muito bem, pela formação, na segunda metade dos anos 80. E tem dado frutos espectaculares do ponto de vista do número de doutorados, da produção científica no país e sobretudo no reconhecimento internacional de que Portugal produz gente que é tão boa como qualquer outra."
(António Coutinho, "um dos 100 cientistas mais citados em todo o mundo", in Jornal de Letras de 23 de Abril de 2008)
(António Coutinho, "um dos 100 cientistas mais citados em todo o mundo", in Jornal de Letras de 23 de Abril de 2008)
terça-feira, abril 29, 2008
sábado, abril 26, 2008
Lluís Llach
L'estaca The stake
---------------------------------------------------------------------------
L'avi Siset em parlava(*) Grandpa Siset spoke with me
de bon matí al portal early in the morning, in the frontdoor
mentre el sol esperàvem while we were wainting for the sun
i els carros vèiem passar. and we saw passing the cars(*)
Siset que no veus l'estaca Siset, don't you see the stake
a on estem tots lligats? where we all are tied?
Si no podem desfer-la If we cannot undo it
mai no podrem caminar! we won't be able to walk!
Si estirem tots ella caurà If we all pull it, it will fall
i molt de temps no pot durar, and it can't last much time,
segur que tomba, tomba, tomba, surely it falls, falls, falls,
ben corcada deu ser ja. it must be worm-eatn by now.
Si jo l'estiro fort per aquí, If i pull hard towards here,
i tu l'estires fort per allà, and you pull it towards there,
segur que tomba, tomba, tomba, i'm sure it falls, falls, falls,
i ens podrem alliberar! and we'll be able to be free!
Però, Siset, ja fa molt temps ja! But it's been a long time, now!
Les mans se'm van escorxant! My hands are peeling!
I quan la for!a se me'n va And when my force goes
ella és més ampla i més gran. it's wider and bigger.
Ben cert sé que está podrida, Yes I know it's rotten,
però és que, Siset, pesa tant, but you know, Siset, it's so heavy,
que a cops la força m'oblida. sometimes force forgets me.
Torna'm a dir el teu cant: Say me again your singing:
Si estirem tots ella caurà If we all pull it, it will fall
i molt de temps no pot durar, and it can't last much time,
segur que tomba, tomba, tomba, surely it falls, falls, falls,
ben corcada deu ser ja. it must be worm-eatn by now.
Si jo l'estiro fort per aqu¡, If i pull hard towards here,
i tu l'estires fort per allà, and you pull it towards there,
segur que tomba, tomba, tomba, i'm sure it falls, falls, falls,
i ens podrem alliberar! and we'll be able to be free!
L'avi Siset ja no diu res Grandpa Siset doesn't speak anymore
mal vent que se'l va emportar bad wind who took him away
ell qui sap cap a quin indret he, who knows where,
i jo aqu¡ sota el portal and me, here under the door
i quan passen els nous vailets and when new boys pass by
estiro el coll per cantar i strech my neck to sing
el darrer cant d'en Siset Siset's last singing
lo darrer que em va ensenyar(*) the last thing he taught me
Si estirem tots ella caurà If we all pull it, it will fall
i molt de temps no pot durar, and it can't last much time,
segur que tomba, tomba, tomba, surely it falls, falls, falls,
ben corcada deu ser ja. it must be worm-eatn by now.
Si jo l'estiro fort per aqu¡, If i pull hard towards here,
i tu l'estires fort per allà, and you pull it towards there,
segur que tomba, tomba, tomba, i'm sure it falls, falls, falls,
i ens podrem alliberar! and we'll be able to be free!
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NOTES:
- Siset is a familiar name for "Narc¡s" (narc¡s->narciset->ciset/siset)
- CAR here with the meaning of a horse car, not a four wheeled one ;)
- "lo darrer..." that LO is only used in certain places, it's 'illegal'
in standard Catalan. Ainda em espanhol:
LA ESTACA
______________________________________
El abuelo Siset me hablaba
al amanecer, en el portal,
mientras esperábamos la salida del sol
y veíamos pasar los carros.
Siset: ¿No ves la estaca
a la que estamos todos atados?
Si no conseguimos liberarnos de ella
nunca podremos andar.
Si tiramos fuerte, la haremos caer.
Ya no puede durar mucho tiempo.
Seguro que cae, cae, cae,
pues debe estar ya bien podrida.
Si yo tiro fuerte por aquí
y tú tiras fuerte por allí,
seguro que cae, cae, cae,
y podremos liberarnos.
Pero, Siset, hace mucho tiempo ya,
las manos se me están desollando,
y en cuanto abandono un instante,
se hace más gruesa y más grande.
Ya sé que está podrida,
pero es que, Siset, pesa tanto,
que a veces me abandonan las fuerzas.
Repíteme tu canción.
El viejo Siset ya no dice nada;
se lo llevó un mal viento.
—él sabrá hacia dónde—,
mientras yo sigo bajo el portal.
Y cuando pasan los nuevos muchachos,
alzo la voz para cantar
el último canto de Siset
el último canto que él me enseñó.
(descobri Lluís Llach no 5dias.net, post de Nuno Ramos de Almeida)
sexta-feira, abril 25, 2008
Salgueiro Maia

Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse
Sophia de Mello Breyner Andresen
Ficaste na pureza inicial
do gesto que liberta e se desprende
havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende
Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem sua regra
Conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra
Por isso ficarás como quem vem
dar outro rosto ao rosto da cidade
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
Trazendo a espada e a flor da liberdade.
Manuel Alegre
Num tempo e num país tão despovoado de Homens e de Liberdade,
aqui fica o testemunho da minha memória do 25 de Abril de 1974 a este
incorruptível Capitão de Abril.
(biografia aqui)
quarta-feira, abril 16, 2008
"Não devemos esquecer nada" *
"O que se perdeu? Tudo, ou quase tudo. Perdeu-se a oportunidade de capitalizar a força demonstrada pelos professores, nos idos de Março. Perdeu-se o momento oportuno para reclamar a dignidade profissional longo tempo espezinhada por uma tutela sem escrúpulos. E perdeu-se sobretudo a força necessária para lutar por uma escola mais justa e de melhor qualidade."
(jcsmadureira in sabores do saber)
"(...)
A actuação política deste Governo e desta ministra produziu diplomas (estatuto de carreira, avaliação do desempenho, gestão das escolas e estatuto do aluno) que envergonham aquisições civilizacionais mínimas da nossa sociedade.
A rede propagandística que montaram procurou denegrir os professores por forma antes inimaginável.
Cortar, vergar, fechar foram desígnios que os obcecaram.
Reduziram salários e escravizaram com trabalho inútil.
Burocratizaram criminosamente.
Secaram o interior, fechando escolas aos milhares.
Manipularam estatísticas.
Abandalharam o ensino com a ânsia de diminuir o insucesso.
Chamaram profissional a uma espécie de ensino cuja missão é reter na escola, a qualquer preço, os jovens que a abandonavam precocemente.
Contrataram crianças para promover produtos inúteis.
Aliciaram pais com a mistificação da escola a tempo inteiro (que sociedade é esta em que os pais não têm tempo para estar com os filhos? Em que crianças passam 39 horas por semana encerradas numa escola e se aponta como progresso reproduzir o esquema no secundário, mas elevando a fasquia para as 50 horas?).
Foram desumanos com professores nas vascas da morte e usaram e deitaram fora milhares de professores doentes (depois de garantir no Parlamento que não o fariam).
Promoveram a maior iniquidade de que guardo recordação com o deplorável concurso de titulares.
Enganaram miseravelmente os jovens candidatos a professores e avacalharam as instituições de ensino superior com a prova de acesso à profissão.
Perseguiram.
Chamaram a polícia.
Incitaram e premiaram a bufaria.
Desrespeitaram impunemente a lei que eles próprios produziram.
Driblaram leis fundamentais do país.
Com grande despudor político, passaram sem mossa por sucessivas condenações em tribunais.
Fizeram da imposição norma e desrespeitaram continuadamente a negociação sindical.
Reduziram a metade os gastos com a Educação, por referência ao PIB.
No que era essencial, no que aumentaria a qualidade do ensino, não tocaram, a não ser, uma vez mais, para cortar e diminuir a exigência e castrar o que faz pensar e questionar.
(...)"
(Santana Castilho, Público, 16 de Abril)
(retirado do mesmo sabores do saber)
*Philip Roth
(jcsmadureira in sabores do saber)
"(...)
A actuação política deste Governo e desta ministra produziu diplomas (estatuto de carreira, avaliação do desempenho, gestão das escolas e estatuto do aluno) que envergonham aquisições civilizacionais mínimas da nossa sociedade.
A rede propagandística que montaram procurou denegrir os professores por forma antes inimaginável.
Cortar, vergar, fechar foram desígnios que os obcecaram.
Reduziram salários e escravizaram com trabalho inútil.
Burocratizaram criminosamente.
Secaram o interior, fechando escolas aos milhares.
Manipularam estatísticas.
Abandalharam o ensino com a ânsia de diminuir o insucesso.
Chamaram profissional a uma espécie de ensino cuja missão é reter na escola, a qualquer preço, os jovens que a abandonavam precocemente.
Contrataram crianças para promover produtos inúteis.
Aliciaram pais com a mistificação da escola a tempo inteiro (que sociedade é esta em que os pais não têm tempo para estar com os filhos? Em que crianças passam 39 horas por semana encerradas numa escola e se aponta como progresso reproduzir o esquema no secundário, mas elevando a fasquia para as 50 horas?).
Foram desumanos com professores nas vascas da morte e usaram e deitaram fora milhares de professores doentes (depois de garantir no Parlamento que não o fariam).
Promoveram a maior iniquidade de que guardo recordação com o deplorável concurso de titulares.
Enganaram miseravelmente os jovens candidatos a professores e avacalharam as instituições de ensino superior com a prova de acesso à profissão.
Perseguiram.
Chamaram a polícia.
Incitaram e premiaram a bufaria.
Desrespeitaram impunemente a lei que eles próprios produziram.
Driblaram leis fundamentais do país.
Com grande despudor político, passaram sem mossa por sucessivas condenações em tribunais.
Fizeram da imposição norma e desrespeitaram continuadamente a negociação sindical.
Reduziram a metade os gastos com a Educação, por referência ao PIB.
No que era essencial, no que aumentaria a qualidade do ensino, não tocaram, a não ser, uma vez mais, para cortar e diminuir a exigência e castrar o que faz pensar e questionar.
(...)"
(Santana Castilho, Público, 16 de Abril)
(retirado do mesmo sabores do saber)
*Philip Roth
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