quarta-feira, agosto 10, 2005

Amar vs. detestar

As pessoas são muito mais do que os 3 ou 4 aspectos que vemos nelas.
Ou seja, apresentam muitos mais motivos para as amarmos do que o que parece à primeira vista.

Mas eu podia ter escrito a frase anterior substituindo "amarmos" por "detestarmos". O que me levou a optar pelo amar?
Primeiro, é-me difícil detestar. Quando alguém me faz mal, procuro que o gostar abandone o meu espírito e mais nada.
Segundo, detestar dá imenso trabalho e, como não traz gratificação nenhuma, sinto que só serve para perder tempo de vida bem vivida.
Não acham?

9 comentários:

Maria Heli disse...

Detestar pessoas dá trabalho e, como tu dizes, para além de não nos trazer nenhuma gratificação,deve ser um sentimento de chumbo.
Porque lidar com esse sentimento, canalizando-o para alguém que um dia conhecemos, não deve ser fácil. Digo eu!
Detestar objectos, por sua vez, por exemplo, é muito mais inócuo.

Já ter um odiozinho de estimação, é diferente! :)Por figuras públicas que não conhecemos! Chega até a ser engraçado, de tão irracional!

abraço

CrazyJo disse...

Também acho que dá trabalho e que, acima de tudo, é uma ENORME perda de tempo!...

No entanto, (se calhar) o "ódio" tem sido SEMPRE a força propulsora das grandes alterações que este nosso mundo já sofreu!

(Infelizmente) Raras foram as vezes em que o "amor" foi o motor de arranque!...

Beijitos, J. (The Crazy-One)

Já foste visitar "Os (In)Docentes", hoje? Vai! Não deixes para amanhã!... ;o)

MaDi disse...

"Existem muitos motivos para não se amar uma pessoa, mas apenas um para amá-la."
Carlos Drummond de Andrade

Rui disse...

Maria Heli,
"de chumbo", tens toda a razão: é que voar é sempre preferível a enterrarmo-nos em areias, movediças ou não!
Pelas figuras públicas e, acrescento eu, pelos clubes de futebol: engraçado porque, no fundo, aquele ódio não é muito autêntico, pois não?
Bj

Rui disse...

Crazyjo, achas? Ou nós temos uma visão deformada pela História que nos ensinaram na escola, toda feita à base de guerras, doenças, golpes palacianos, etc, ou seja, com um lado não muito bonito da humanidade?
Ou ainda: será que o amor e o ódio existem em iguais proporções (eu acho que existe mais amor) e voltamos à cena da garrafa meio cheia ou meio vazia, conforme as nossas inclinações? Na verdade, é impossível sabê-lo com segurança, penso eu.
Beijinhos

Rui disse...

MaDi, esta frase é como um murro bem pregado! Deixa-me atordoado e quase sem saber o que responder! Mas, com alguma dificuldade, levanto-me do chão, sacudo a cabeça e respondo: Só um!? Se esse um for o "não sei porque amo", então aí sim, estou de acordo! Achas que era isto o que o poeta queria dizer?

MaDi disse...

Exactamente, Rui. Nós não amamos por nenhuma razão específica, nem por várias. A pessoa a quem amamos terá até muitas razões para não a amarmos. Mas voltamos a questão, de que os sentimentos nós não controlamos...

Elisa disse...

Já eu, parafraseio o Sérgio Godinho: «aprendi a amar por motivos vários (...) aprendi a matar bem mais do que penso».
Detestar dá trabalho, mas amar também dá.

Maria Heli disse...

Claro que não! :)
Eu cultivo odiozinhos de estimação que me dão imensa vontade de rir. Dispõe-me bem!

bjo