terça-feira, julho 04, 2006

A feira das traições

Choca-me a crescente falta de pudor que as pessoas revelam não só a executar, mas também a publicitar todas as pequenas patifarias, traições ou vinganças de que se lembram. Antes nunca dava conta delas. Agora vou sabendo de algumas. E nunca deixa de me espantar que as pessoas achem sempre justificados estes seus actos.

Quanto às pessoas que são vítimas destas acções andam, depois, completamente enganadas sobre o que se passou. Constroem um mundo de ilusões ao procurarem descobrir um sentido para aquilo que lhes aconteceu. Só que tal não é possível porque, onde a falsidade e a traição são generalizadas, deixa de haver um sentido global. Passa então a haver apenas sentidos locais, específicos e particulares a cada indivíduo. E aí tudo se baralha.

Neste ambiente, esforço-me com desespero e angústia por manter uma conduta impoluta (o que nem sempre consigo), por não me envolver em nenhuma tramóia, por procurar chegar ao fim do dia e conseguir que os meus actos tenham sido, se nem sempre impecavelmente dignos, pelo menos minimamente honrosos.

Digo bem: com desespero e angústia. Porque este em que vivo não é de todo o meu mundo. E é, de todas as maneiras, um mundo bem solitário...

3 comentários:

Anónimo disse...

Rui,alguem já te disse que não foste TU quem construiu o mundo?? pára de te responsabilizares por todo o mal que existe e, por favor, sê feliz! enquanto é tempo...

Alberto velho disse...

Um post bonito e digno. Um abraço.

mistera disse...

Espectacular a forma de verbalizar sobre este assunto socialmente tão banal!